Desde cedo, ouvimos as crianças dizer que “os animais são nossos amigos”. Roberto Carlos em 1976 gritou (ou melhor, cantou) ao mundo que “queria ser civilizado como os animais”. Na Bíblia, é referido (Genesis 6:9) que Deus poupou Noé, dando-lhe instruções para construir, sete dias antes do dilúvio, uma arca para ele, para a sua família e para os animais.

De facto, o homem, como espécie animal, não pode esquecer os outros animais, e, muito menos, maltratá-los ou explorá-los. Antes pelo contrário, tem o dever de os proteger e de colocar os seus conhecimentos ao serviço dos animais. Por outro lado, a estima dos homens e mulheres pelos animais está ligada ao próprio respeito destes pelos seus semelhantes.

Embora constatemos, que, hoje em dia, ter um animal de estimação exige responsabilidade, tempo e dinheiro (são os passeios, a higiene, a alimentação, os cuidados veterinários, entre outros), temos de ter a consciência que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais é o maior avanço civilizacional, que ajudará a constituir um planeta com futuro e com prosperidade, pelo que devem ser encetadas e reforçadas políticas de proteção animal.

As escolas em Portugal ensinam, e bem, desde a infância, a respeitar e a amar os animais. É referido em disciplinas de biologia e de cidadania que a ciência comprova que o sofrimento dos animais, a sua notória reação à dor, ao afeto e aos sentimentos, é uma realidade inquestionável. Isto vem consciencializando os alunos, levando-os a refletirem sobre a relação entre o ser humano e os seres não humanos. As gerações mais novas já não duvidam que os mamíferos, as aves, os peixes e tantos outros devem ser reconhecidos como parceiros no planeta e não como objeto ao serviço dos humanos. 

O poder central ainda tem muito que caminhar nesta luta pelos direitos dos animais, sem populismos, sem forças políticas que dizem na sua génese e no seu nome que pretendem defender os animais e depois pouco ou nada fazem, a não ser meia dúzia de iniciativas avulsas (importantes, é claro!).

Quanto ao poder local, o descalabro ainda é maior. Vimos autarquias que, apesar de usarem como bandeira o que dizem que fazem em prol dos animais, pouco ou nada fazem, a não ser manter uns canis e alguns gatis (quando existem), muitas vezes de qualidade duvidosa, onde os animais são mantidos em cativeiro e com tratamento muito questionável. Muitos animais são, infelizmente, abandonados e a autarquia que não os recolhe de imediato não merece governar, devendo sim os seus autarcas eleitos refletir e chegar à conclusão de que não estão a cumprir os seus desígnios, não lhes restando uma réstia de dignidade e renunciarem aos seus mandatos.

Certo é, porém, que existem, honrosas exceções e nós conhecemos algumas que muito nos agradam. A construção de novos canis e gatis, refúgios animais e centros de acolhimento, como, por exemplo, na localidade de Oliveirinha, no concelho de Carregal do Sal, são bons exemplos.

Mesmo com todas as evidências referidas, infelizmente muitos seres humanos ainda cometem crimes contra os animais e contra a natureza, pelo que muito ainda teremos de fazer. 

Termino como comecei citando as crianças: “os animais são nossos amigos”. Tratemos, então, bem os amigos!

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Professor, de 52 anos.
É natural de Carregal do Sal, onde reside e trabalha, sendo no momento docente do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal.

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