Foto de Miguel Á. Padriñán

Ouvimos recentemente que temos de fazer tudo o que for preciso e muito mais. Não poderia estar mais de acordo! De facto, num momento em que a gravidade da pandemia é clara para todo o mundo, Portugal não está obviamente inume a esta calamidade.

Escrevo esta crónica, fechado em casa, no interior centro e profundo do pais, bombardeado pelas notícias oriundas quer da nossa rede de televisões noticiosas, quer das constantes mensagens nas redes sociais. Cada vez recebemos mais amontoados de frases, umas falsas outras verdadeiras, sobre a crise, proporcionais ao aumento da nossa preocupação. Os briefings que anunciam medidas são diários. Tememos, no entanto, quiçá sem razão, que nenhuma destas medidas tenha os dentes necessários para devorar tamanha desgraça.

Pergunto-me: Estará Portugal forçado a sofrer o mesmo desastre que aconteceu na China e está a acontecer na Itália e em Espanha? Há saídas? Podemos confiar no SNS? Estou certo que estas e outras perguntas são partilhadas por milhares de portugueses.

Temos de (continuar a) atuar de forma conveniente e imediata. O vírus existe e tem de ser travado na área da saúde pública. Mas nós temos de reagir, quer individualmente quer enquanto comunidade. Individualmente, isolando-nos e limitando ao máximo as interações sociais. Coisas simples como lavar as mãos, evitar tocar nos olhos, nariz e boca, devem passar a ser rituais obrigatórios. Enquanto comunidade, e já que alguém comparou, e bem, a nossa situação a uma situação de guerra, e já que em tempo de guerra não se limpam armas, não devemos olhar a meios para travar esta batalha. Acho que devemos suspender tudo o que não seja urgente. Reforço que enquanto sociedade, é sobretudo com o Serviço Nacional de Saúde que contamos. Todos os meios existentes devem ser colocados ao combate da epidemia. Não podemos largar ninguém, não podemos deixar ninguém para trás. É preciso, por outro lado, que o Estado garanta o rendimento das pessoas, senão corremos o risco de adicionar à crise epidemiológica e sanitária uma crise social.

Ouvi alguém na televisão recordar a frase do extraordinária de um antigo treinador de futebol, o Quinito: “temos de colocar a carne toda no assador”. Concordo. Penso que chegou o momento. Devemos mobilizar todos os meios, mas mesmo todos os meios, para esta guerra sem quartel, perseguindo sem tréguas o vírus até o controlar ou mesmo erradicar. Para isso só mesmo se formos todos. Temos dado provas de que seremos capazes.

Termino esta curta crónica no momento em que as circunstâncias que vivemos são de emergência, com a consciência de que os efeitos da epidemia se farão sentir no nosso povo de forma pesada, mas com uma intranquila esperança de que atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos virão necessariamente melhores.

Por isso, temos de ter força para combater no presente, preparando o futuro. Assim aconteça.

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Professor, de 52 anos.
É natural de Carregal do Sal, onde reside e trabalha, sendo no momento docente do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal.

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