Os bons filhos que não são bem-vindos a casa

Temos que deixar de desviar culpas porque ela não pode morrer solteira. O poder local não pode gabar-se pelo que corre bem e descartar as responsabilidades nos governos centrais, por muito que também as tenham, quando as coisas correm mal. Andamos a construir a tão afamada obra, de betão em betão (é só vermos a loucura em todos os concelhos, onde quase não se pode transitar porque é só obras por toda a parte em altura de eleições) sem nos preocuparmos com o que realmente importa, as pessoas.

Vemos gerações e gerações a irem estudar para fora e a nunca mais regressarem porque não têm soluções viáveis para construírem uma vida e a preocupação dos autarcas é com o betão?

Depois, do emprego que há, a maioria é precário e uma boa parte na Câmara Municipal, que nem dentro dá o exemplo ao precarizar com promessas futuras, deixando as pessoas numa incerteza eterna de um contrato renovado, ficando inevitavelmente vergadas ao poder. Não é assim que se atrai população. Não é assim que se cria massa crítica. Não é assim que evolui um concelho, nem é assim que trazemos as gerações qualificadas de volta, com promessas de um “estagiozinho” mal pago…

Quando a grande preocupação é segurar os lugares de 4 em 4 anos e não é assegurar o futuro do concelho estão a condenar-nos a que daqui a uns anos nem concelho tenhamos. A obra, essa ficará ao abandono…perdermos população pode dar imenso jeito a alguns que aumentam os seus poderes e renovam maiorias, mas não dá jeito nenhum às populações abandonadas.

A política é feita de escolhas, e enquanto a escolha continuar a ser a obra para encher o olho, a precariedade e o “estagiozinho” estamos a perder anos e oportunidades que não regressam. 

Muitas das vezes se fala que alguns candidatos em Vila Flor vivem uma parte da sua vida fora do concelho e não é lá que têm o seu emprego. Já se perguntaram porquê? Porque é que são muitas dessas pessoas que se sentem com condições para concorrer? A resposta a isto explica o problema e encontra parte da solução.

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Jóni Ledo, de 29 anos, é natural de Vila Flor, onde fez o seu percurso académico até terminar o secundário. Entrou para a UTAD em 2008, onde se licenciou em Psicologia. De seguida, concluiu o Mestrado em Psicologia da Educação na mesma instituição. Frequenta atualmente a Licenciatura em Economia. Deputado na Assembleia Municipal de Vila Flor pelo BE desde 2009, tendo sido reeleito em 2013 e 2017. É atualmente dirigente distrital e nacional do Bloco de Esquerda. É também ativista na Catarse | Movimento Social.

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