Vamos fazer o que ainda não foi feito

Apesar de não ser filiado em nenhum partido político, sempre fui, desde muito jovem, defensor das políticas de esquerda, muito influenciado pelo meu avô materno, que foi preso político em Peniche no tempo do estado novo.

Ofereceram-me em 1984 um livro intitulado “Ensaio para uma revolução”, de Francisco Louçã, que, a par das conversas que mantinha com o meu avô, influenciou incondicionalmente as minhas convicções políticas.

Em 1985, embora não filiado, participei, em Coimbra, com elementos ligados ao então PSR em campanhas antimilitaristas e antirracistas, dirigidas especialmente aos estudantes da academia de Coimbra. Convivi com os políticos Cesar de Oliveira e Lopes Cardoso, o que reforçou a minha perceção política, obrigando-me a consciência a participar em diversas iniciativas ligadas a movimentos estudantis simpatizantes com a UEDS.

Sempre fui um defensor da liberdade em todas as suas vertentes e sempre me indignei com as injustiças que advêm das situações de desigualdade entre cidadãos. Estou convicto que estas diferenças sociais devem ser obrigatoriamente reduzidas ou mesmo abolidas (utopicamente).

Combater as assimetrias sociais, baseadas em​ formas de exploração e marginalização com base em origens étnicas ou raciais, de género, de orientação sexual, de idade, de religião, de liberdade de expressão ou de classe social é um desígnio de todos ao qual eu forçosamente adiro. Não obstante estas convicções ideológicas, novas preocupações emergem, como a necessidade de um mundo ecologicamente sustentável, uma terra de todos e para todos. O drama dos refugiados tem de estar, igualmente, na ordem do dia.

O facto de, por motivos profissionais, ter contactado com a realidade de todos os concelhos do distrito de Viseu levou-me a constatar in loco o que de certa forma já intuía: o envelhecimento e desertificação das terras do interior bem como a falta de emprego, nomeadamente para os jovens; a inexistência, em muitos casos, de unidades de saúde de proximidade ou de escolas nas localidades; o problema da mobilidade dos mais idosos; a extinção da Rodoviária Nacional, substituídas por empresas privadas, acentua os problemas diários inerentes à falta de rodovias e de ferrovias.

Como diretor de um agrupamento de escolas, no contacto que tive com milhares de pais e de encarregados de educação, ouvi frequentemente os seus desapontamentos, quanto à falta de transportes, ao fraco acesso à saúde, à habitação e à cultura. Por tudo isto as pessoas do interior não conseguem melhorar as suas vidas.

Defendo, pois, que os apoios e incentivos, nomeadamente dos fundos comunitários, devem ser, também, e sobretudo, canalizados para o interior. Nas diversas regiões do país, o seu nível de desenvolvimento e a sua capacidade produtiva não é toda igual.

Na Assembleia da República, devemos lutar por mais postos da GNR, mais extensões de saúde, mais serviços regionais de agricultura, florestas, segurança social, mais investimento público e novas medidas e soluções para o desemprego. Questões relacionadas com a agricultura, com os sectores produtivos e extrativos, respeitando as questões ambientais, gerindo as riquezas naturais do interior, podem e devem ser feitas com um investimento público adequado. Políticas sustentáveis, que não comprometam as próximas gerações, que não estimulem a migração das populações das aldeias para a cidade, situação que tem levado à desertificação são obrigatórias.

Mas, para que estas situações possam ser efetivas, é óbvio que é preciso fazer diferente daquilo que foi feito até aqui. Querem-se cidadão militantes, que exijam soluções concretas!

Todas estas situações motivam a minha candidatura pelo BE às próximas legislativas, partido em cujo programa vejo as minhas profundas convicções e ideais refletidos.

É urgente o distrito de Viseu ter entre os seus deputados à Assembleia da República elementos do BE e estou certo de que vai consegui-lo. O futuro começa agora!

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Professor, de 52 anos.
É natural de Carregal do Sal, onde reside e trabalha, sendo no momento docente do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal.

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