Nos últimos tempos muito se tem falado do interior do país, tanto pela municipalização de serviços que visam descentralizar do estado central para centralizar nos presidentes de Câmara, como dos profetas que já tiveram inúmeras responsabilidades em sucessivos governos que destruíram este território e agora se assumem como os “salvadores” do interior. Alguns mudam de opinião como muda o vento, senão vejamos.

Onde estavam quando o Tua e o Sabor foram destruídos? Onde estavam quando se fecharam escolas, centros de saúde, tribunais? Quando instituíram portagens em tudo que são acessos? Quando muitos dos jovens do interior foram forçados a emigrar?

Pois bem, a hipocrisia sempre reinou, e infelizmente teremos sempre uns quantos destes a fazer opinião.
“Roma e Pavia não se fizeram num dia”. Bem sei que não há nenhuma solução milagrosa que coloque estas terras na ordem do dia e as faça florescer. Mas não tendo sido feitas num dia, todos os dias se davam passos para a sua execução. O que acontece nestes territórios é precisamente o contrário.

Acabar com as portagens, baixar a fatura da eletricidade (visto que temos um território “esburacado” para produzir energia para o país inteiro) e ter algumas discriminações positivas pode ser parte da solução.

Fará sentido pagar mais para nos deslocarmos de Chaves a Viseu do que de Bragança ao Porto? Na verdade, não faz sentido pagar e repagar em nenhum dos cenários. Na verdade, é um luxo viver no Interior! Na verdade, o luxo é tão grande que para sairmos dele temos tanto que pagar.
Somente com uma grande mobilização das populações é possível mudar algo. Somente com a nossa força conjunta a situação pode ser revertida. Até os profetas são bem-vindos, não para gáudio pessoal, mas para serem mais um ou uma, no combate às assimetrias e à injustiça.

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Jóni Ledo, Deputado na Assembleia Municipal de Vila Flor, Ativista no Catarse | Movimento Social e Psicólogo.

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