Foto de Eric Huybrechts | Flickr

É certo que a pandemia da covid-19 alterou tanto a forma como vivemos em sociedade como a forma como nos relacionamos, mas também a forma como percepcionamos o mundo e o que nos rodeia. O ano que está prestes a terminar trouxe-nos, seguramente, uma das batalhas das nossas vidas (não digo que seja a batalha das nossas vidas porque existem outras igualmente importantes para a vida tal qual a conhecemos, desde logo, a batalha contra as alterações climáticas). Os problemas com os quais nos confrontamos devido à pandemia fizeram-nos perceber a importância central do SNS e o confronto inevitável entre o público (que serve a todos) e o privado (que visa o lucro). Fez-nos também perceber quão débil estava a situação económica de muitas famílias (devido, essencialmente, à política de baixos salários deste país e à precariedade quase crónica) que passados 15 ou 20 dias de confinamento e consequente redução de salário, para quem ainda o tinha, estavam numa situação dramática.

Também as próprias pequenas e médias empresas, que no caso de Trás-os-Montes, representam a maioria dos postos de trabalho, se viram confrontadas com uma situação catastrófica que já condenou algumas delas, destruindo imensos postos de trabalho.

No campo oposto está uma parte das grandes empresas, quais abutres, que se aproveitam do desespero das populações para perpetuar a precariedade, os baixos salários, mas também a pressão feita para com os seus trabalhadores para abdicarem das suas férias ou facilitarem o despedimento. Bem sabemos que mesmo numa crise desta dimensão existe sempre quem se aproveite…

Também é nestes momentos que surgem ou que passam a ter mais visibilidade os oportunistas que dizem tudo e o seu contrário à procura de benefícios políticos.

No que respeita à pandemia não acrescento grande coisa pois já muito se escreveu sobre ela e as suas implicações na saúde…resta-me desejar que no próximo ano possamos ter uma vacinação em massa e que finalmente consigamos voltar ao que era antes e ao que todos já temos saudades.

Foi também percetível neste quadro de pandemia, a importância de ter eleitos locais à altura, pois a política de proximidade é essencial para acudir às populações em situações como esta em que as pessoas são confrontadas com uma crise social tremenda. O ano de 2021 será também neste âmbito um ano de escolhas, e essas escolhas são fundamentais para a vida de cada um de nós e para a nossa vida coletiva. Não nos devemos abster de fazer o nosso papel, principalmente numa altura tão delicada como esta.

Por fim, resta-me desejar a todas e a todos umas boas festas, com cuidados redobrados para nos protegermos a nós, aos nossos e aos outros e um 2021 que seja o mais parecido possível ao que estávamos habituados. Haja saúde!

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Jóni Ledo, de 29 anos, é natural de Vila Flor, onde fez o seu percurso académico até terminar o secundário. Entrou para a UTAD em 2008, onde se licenciou em Psicologia. De seguida, concluiu o Mestrado em Psicologia da Educação na mesma instituição. Frequenta atualmente a Licenciatura em Economia. Deputado na Assembleia Municipal de Vila Flor pelo BE desde 2009, tendo sido reeleito em 2013 e 2017. É atualmente dirigente distrital do Bloco de Esquerda e ativista na Catarse | Movimento Social.

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