Vira o disco e somos menos!

Com o início do novo ano, muito se projeta para o futuro, em sonhos, objetivos ou realizações. No que respeita à coesão territorial e a este interior que chora pelos que partiram e não voltaram, pelo comboio que foi e não mais veio ou pelo serviço que encerrou, foi mais um ano em que rodamos sobre nós próprios 365 vezes e ficamos na mesma.

Como diz a música dos Xutos e Pontapés, “de Bragança a Lisboa são 9 horas de distância”, agora até são menos, mas de Lisboa a Bragança continuam a ser anos de distância, tudo continua a demorar muito tempo e o que chega, vem a coxear. Isto pode ser replicado para todos os distritos do interior! Enquanto não perceberem que com a morte do interior, também o litoral é prejudicado, o caminho não será invertido.

Não estou a falar de medidas abstratas. No que respeita ao distrito de Bragança, não é abstrato pensar que Vinhais e Vimioso não merecem estar isolados e terem uma ligação rodoviária condigna até à capital de distrito. Não é abstrato exigir uma aposta séria na ferrovia, e numa ligação da linha do Tua até Bragança. Não é abstrato exigir que a agricultura transmontana, muito mais sustentável que noutros locais do país, não seja vista como uma atividade de segunda. Não é digno defender que o distrito de Bragança e o interior em geral sobrevivam de esmolinhas do estado central.

2020 é um ótimo ano para inverter este ciclo, até é um número redondo e tudo, (na verdade é um ano como os outros, mas temos que nos valer de algo), poderá ser o ano em que se perceba que um cidadão ou cidadã de Freixo de Espada à Cinta é igual a um cidadão ou cidadã de Carnide ou do Lumiar, com todo o respeito que eu tenho por essas pessoas.

É difícil, a coesão? Não duvido. Geralmente o que é difícil é também o que traz mais benefícios e, no final, todos os envolvidos terão uma satisfação enorme por cumprir algo tão complexo…. Cá estamos, como sempre, prontos para ajudar, mas como de costume, numa sociedade civilizada, a ajuda terá que ser recíproca.

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Jóni Ledo, de 32 anos, é natural de Valtorno, concelho de Vila Flor. É licenciado em Psicologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, instituição onde também concluiu o Mestrado em Psicologia da Educação. Frequenta atualmente o 3ºano da Licenciatura em Economia na mesma instituição. Foi Deputado na Assembleia Municipal de Vila Flor pelo BE entre 2009 e 2021. É ativista na Catarse | Movimento Social e cronista no Interior do Avesso. É atualmente dirigente distrital e nacional do Bloco de Esquerda. É atualmente estudante de Doutoramento em Psicologia Clínica e da Saúde na Universidade da Beira Interior.

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