Existem movimentos independentes, mas não em Carregal do Sal

Diego Garcia, autor do artigo de opinião
Este artigo de opinião serve para que exista uma resposta no meio de uma narrativa dominante, sobretudo para quem ataca cegamente os partidos, mas passou a vida toda a servir-se deles. 

Escrevo como militante partidário, mas sobretudo escrevo como ativista social e cidadão atento às dinâmicas sociais, que encara a atividade política como uma serviência à causa comum e não a interesses pessoais. 

Sinto-me obrigado a esclarecer e a responder, com factos, aos ataques cerrados que a candidatura “independente” (CICC) em Carregal do Sal está a proferir aos partidos e aos seus militantes e simpatizantes. Sinto-me obrigado porque os e as carregalenses não precisam que lhe deitem areia para os olhos, sobretudo, utilizando uma narrativa agressiva e pouco inclusiva – a política deve servir para integrar e incluir, e nunca para o contrário.

Escrevo eu, que valorizo os verdadeiros movimentos de cidadãos que se decidem candidatar a um órgão porque, na verdade, se apresentam com um programa eleitoral alternativo aos partidos, também candidatos, ou outras candidaturas. 

Para perceberem que me sinto numa posição confortável, quem conhece a vida autárquica de Coimbra sabe que o Bloco não se apresenta às eleições autárquicas no concelho há vários anos, decidindo integrar um movimento de cidadãos abrangente e inclusivo, juntamente com outras forças partidárias e cidadãos, é o Cidadãos Por Coimbra. 

Sinto-me confortável porque, ainda em março de 2021, o Bloco defendia a reversão da lei que prejudicava os movimentos independentes que se quisessem candidatar às eleições e sempre apresentou propostas, tanto a nível municipal como nacional, no sentido de aproximar os órgãos políticos, sejam eles autárquicos ou nacionais, aos e às eleitoras. 

A candidatura “independente” de Carregal do Sal (CICC) está, há semanas, a fazer ataques cegos aos partidos, criticando-os de afunilamento e de interesses partidários (que segundo o CICC, não defendem os interesses das populações).

Até porque existem verdadeiros movimentos de cidadãos, como é o caso de Coimbra ou do Castelo Branco Merece Mais, é necessário comprovar com factos que há movimentos e movimentos. Assim o CICC é constituído por: 

  • O candidato à Câmara Municipal andou décadas no PSD, com vários cargos autárquicos, e quando se quis candidatar à Presidência, em 2013, foi pelo PS; 
  • Uma das candidatas à Câmara Municipal é a última vencida das últimas eleições à concelhia do PS; 
  • Na lista da Assembleia Municipal, temos membros deste órgão, ainda em funções, eleitos pelo PS e pelo PSD. Inclusive, uma das candidatas independentes era a mais crítica quando representava um partido, com base nas suas intervenções, da atual gestão com a qual se apresenta no próximo ato eleitoral; 
  • No conjunto da candidatura independente temos militantes do PS e do PSD, inclusive antigos dirigentes que mostraram apoio às candidaturas partidárias há uns meses;
  • Às Juntas de Freguesia, temos candidatos que já foram membros do PCP e do PS, inclusive, já foram Presidentes de Junta pelo PS; 

Outro facto importante, é a questão do Orçamento de Campanha, tal como noticiou o jornal Público no dia 11 de agosto, na lista dos maiores orçamentos do país encontram-se movimentos independentes: Rui Moreira (285 mil euros), Isaltino Morais (283 mil), Elisa Ferraz – Nós Avançamos Unidos (125 mil euros), SEMPRE de Castelo Branco (91 mil euros) e Pela Guarda – Autárquicas 2021 (80 mil euros).

Também em Carregal do Sal, a candidatura com o maior orçamento de campanha é a do movimento independente com 40 mil euros, tendo quase o dobro de orçamento que o segundo, o PS. 

Face a estes dados, parece que alguns movimentos independentes “precisam” de sair dos partidos para evidenciar o que sempre foram. 

A pergunta que os e as carregalenses se devem fazer, porque é importante encarar o próximo ato eleitoral com seriedade e honestidade política, é qual seria o ponto de situação atual se as últimas eleições à concelhia do PS tivessem outro desfecho, esta é a pergunta que importa fazer para percebermos o porquê da candidatura “independente”. 

Escrevo isto para me sentir em consciência, não para tomar as dores de outros, mas porque é uma questão de honestidade política. Que fique claro, que nada tenho contra o projeto político do CICC, que tem tanto direito como os outros de existir, mas é necessário “chamar os bois pelos nomes”: é uma candidatura feita, na sua maioria, por dissidentes partidários. 

Outros artigos deste autor >

Diego Enrique Rodrigues Garcia, nasceu no dia 1 de Agosto de 1992 em Ourense, na Galiza. Desde 2009 que reside continuamente em Portugal, na região da Beira Alta.
Ativista social e independentista galego, está ligado ao movimento associativo na área ambiental, do bem-estar animal e da juventude. Dirigente do Bloco de Esquerda no distrito de Viseu
Atualmente a realizar uma licenciatura em Estudos Europeus na Universidade Aberta.

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