Foto por Vitor Oliveira

O rio Dão, pelo menos na sua passagem pelo distrito de Viseu, sofre há anos de um enorme atentado ambiental. Desde o concelho de Mangualde, passando por Penalva do Castelo, Viseu, Nelas, Carregal do Sal, Tondela e Santa Comba Dão,

os focos de poluição nestes municípios arrastam-se, criando assim grandes prejuízos ao ecossistema.

Nos concelhos de Mangualde e Viseu, desde 2007 que as populações se queixam de descargas ilegais no rio Dão, denunciavam umas manchas verdes que possivelmente proviriam de zonas industriais desses mesmos concelhos. Em Mangualde, ainda este ano houve uma denúncia de um curso de água proveniente da ETAR da Lavandeira, que não está a tratar os efluentes da zona sul da cidade de Mangualde, que desagua na Ribeira da Lavandeira e consequentemente no rio Dão. Problema este que acompanha há demasiado tempo a população mesmo que a autarquia já tivesse encontrado uma solução com a construção de uma nova ETAR, é imprescindível efetuar uma descontaminação da Ribeira e do seu envolvente para tentar minimizar os prejuízos causados durante anos, situação que a autarquia de Mangualde ainda não garantiu. A praia fluvial de Alcafache esteve durante muito tempo interdita aos banhos devido a ter-se detetado a bactéria salmonela na água do rio Dão, neste momento não sabemos como se encontra a situação já que em 2017 foi encontrada uma grande quantidade de peixes mortos naquela zona do rio.

Em 2009, a Câmara Municipal de Penalva do Castelo suspendia o abastecimento de água à população, a partir do rio Coja, devido a várias descargas ilegais que contaminaram este afluente do rio Dão, causando sérios prejuízos na barragem de Fagilde que abastece água a Viseu, Nelas, Mangualde e Penalva do Castelo.

Em 2015, aconteciam descargas ilegais no concelho de Nelas, na Ribeira de Travassos, que também percorre o concelho de Carregal do Sal até ao rio Dão, provenientes de algumas unidades fabris da indústria do automóvel instaladas no município de Nelas. Em Carregal do Sal é de conhecimento público o estado deficitário da maioria das ETARS do concelho, muitas delas com os cursos de água poluídos que recolhem os efluentes desses equipamentos a desaguarem no rio Dão e nos seus afluentes, as descargas ilegais denunciadas desde há anos são provenientes de empresas de produtos lácteos e vinícolas que recebem prémios de excelência pelos seus produtos, mas depois não se importam de poluir o ambiente. Um bem que é de todos.

No concelho de Tondela está a acontecer um dos maiores crimes ambientais dos últimos tempos na região do Dão.

A população de Dardavaz, sente praticamente todos os dias o problema da poluição na ribeira de Dardavaz, que atravessa a povoação, resultante das descargas que, segundo os habitantes locais e a Câmara Municipal de Tondela, têm origem na ZIM da Adiça. As águas que correm neste ribeiro apresentam cor escura e uma grande quantidade de espuma à superfície, sendo o odor emanado muito intenso e frequentemente insuportável, principalmente nos dias mais quentes do ano, segundo testemunhas locais. A ribeira de Dardavaz desagua no Rio Criz que, por sua vez, é um afluente do Rio Dão junto à Albufeira da Aguieira, local de captação de água para consumo humano do sul do distrito de Viseu e de vários concelhos do distrito de Coimbra.

Em Santa Comba Dão, as descargas ilegais acontecem há anos, desde 2011, e são continuamente denunciadas.

A Ribeira das Hortas, afluente do rio Dão, mostra há anos uma cor escura e uma água bastante densa devido a descargas provenientes das saídas dos esgotos que percorrem esta ribeira até ao rio.
Para defendermos o que é nosso, para defendermos o rio Dão é necessária uma maior fiscalização por parte das autoridades nacionais e uma maior fiscalização do trabalho autárquico, mas também de proatividade por parte dos municípios na resolução dos problemas existentes nos seus concelhos, fazendo os investimentos necessários e obrigando as empresas privadas também fazerem esses investimentos para que as rejeições hídricas estejam a ser feitas dentro da legalidade. A situação referente à saúde pública também é preocupante devido às captações de água para consumo que existem na barragem de Fagilde e na barragem da Aguieira, local onde desagua o rio Dão.

Este rio é um paraíso para muitas aves migratórias, como por exemplo o pato real, que se alimenta nas margens do rio, mas também é destino de turismo e de várias atividades desportivas, para além do benefício que traz para a agricultura da região do Dão.

Está na hora de assumirmos a despoluição do rio Dão como uma prioridade, preservar a fauna e a flora deste ecossistema deve ser uma exigência. Trata-se de uma questão cultural e civilizacional da região.

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Diego Enrique Rodrigues Garcia, nasceu no dia 1 de Agosto de 1992 em Ourense, na Galiza. Desde 2009 que reside continuamente em Portugal, na região da Beira Alta.
Ativista social e independentista galego, está ligado ao movimento associativo na área ambiental, do bem-estar animal e da juventude. Autarca em Carregal do Sal e dirigente do Bloco de Esquerda no distrito de Viseu
Atualmente a realizar uma licenciatura em Estudos Europeus na Universidade Aberta.

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