Foto de Confrariamor | Facebook

Actualmente, dado ao grande número de sociedades que entraram em contacto directo e a diversidade dos seus modos de vida vieram benefícios para o desenvolvimento cultural e social de uma certa comunidade e sociedade, como é o exemplo da imigração na região da Terra Quente Transmontana.

Este fenómeno arrecada alguns benefícios tanto para a população residente como a população imigrante, como por exemplo:

 

– A de ter permitido demonstrar que não há culturas superiores nem inferiores, desde que existam as mesmas possibilidades para todos e aconteça um processo de integração eficaz;

 

– A de que a mudança é sempre um instrumento, nunca um fim em si mesmo, podendo uma dada realidade social mudar para melhor ou para pior, no caso da região transmontana houve uma melhoria para ambos lados. A região viu a sua população aumentar e assim caminha para reversão o ciclo de despovoamento, tal como satisfaz a necessidade da mão de obra na área da agricultura. Os imigrantes viram a sua qualidade de vida aumentar, pelo menos em termos financeiros e económicos, também face ao cenário penoso dos seus países de origem;

 

É objectivo que existe uma vontade de integração de parte da comunidade residente, por exemplo, uma professora do primeiro ciclo de uma escola de Alfândega da Fé, onde 20% dos alunos são estrangeiros, maioritariamente búlgaros e cazaques, decidiu marcar as suas férias para a Bulgária para assim conhecer melhor a cultura desse país. Existe uma grande vantagem de conhecer a cultura do Outro para se poder ser eficaz na intervenção social, mas também para colocar de lado alguns preconceitos que possam existir. Uma das principais vantagens desta situação é a troca de culturas e experiências que gera uma multiculturalidade incrível, mas dificulta a comunicação porque a língua mãe é distinta do português e os recursos humanos na Escola Pública não são os desejáveis para assim ter um acompanhamento especializado em língua portuguesa.

 

Um dos grandes problemas que existe nestas comunidades estrangeiras na Terra Quente Transmontana e que contribui para uma certa pobreza instalada é a falta de habitação e de habitação de qualidade ao, na maioria das situações, as casas estarem extremamente degradas, sem condições para uma vida socialmente aceitável, mas também ao estarem  sobrelotadas albergando até várias famílias criando assim condições de amontoamento e de falta de intimidade, porque como dizem “vimos para ganhar dinheiro e trabalhar, a habitação fica em segundo plano”. Cabe ao Estado, neste caso às autarquias, no papel de interventor de ajudar a resolver o problema com a colaboração da comunidade de imigrantes proporcionando uma habitação digna.  

 

Outro grande problema é a presença de níveis educacionais, de instrução e formação profissional extremamente baixos. Esta situação, como é óbvio, tem implicações imediatas sobre a reprodução das situações de pobreza. Normalmente, este vazio educacional consequente da baixa frequência nos estabelecimentos de ensino deve-se a deslocalização residencial da família porque vai à procura de emprego também porque a maioria do trabalho nos concelhos da Terra Quente Transmontana é sazonal, só havendo trabalho na primavera e no outono. Assim as crianças tendem a abandonar à escola sem qualquer tipo de aviso o que dificulta o acompanhamento, mas existem casos de sucessos nas escolas transmontanas.

 

Ano após ano, as inspecções do SEF em locais de trabalho agrícola têm vindo a crescer, em concordância com o crescimento do trabalho escravo no nosso país devido, como já referi, à falta de habitação digna e baixos salários. A fixação dos imigrantes no território, essas condições devem ser criadas, ajuda a ter uma relação mais saudável entre empregado e empregador -pelo facto de gerarem uma relação de confiança e de conhecimento um do outro- e assim também ajudaria no combate à precariedade laboral e habitacional que atinge estas comunidades em Portugal.

 

Esta grande vaga de imigração começou há dez anos quando alguns países de leste começaram a integrar a União Europeia beneficiando também do Acordo para o Espaço Schengen. O principal motivo para búlgaros e cazaques, como já referi na sua maioria, imigrarem para o Interior Norte de Portugal deve-se também ao agravamento da qualidade de vida nos países de origem devido a alguns conflitos armados nessas regiões como a pouca sanidade democrática das instituições públicas que depois se reflectem nas sociedades e nos habitantes desse país.

 

Diego Garcia

16 de Dezembro de 2019

Trabalho no âmbito da disciplina de Desenvolvimento Comunitário na Licenciatura em Estudos Europeus

Desconstrução da reportagem “A terra é portuguesa, quem a trabalha vem de fora”

Outros artigos deste autor >

Diego Enrique Rodrigues Garcia, nasceu no dia 1 de Agosto de 1992 em Ourense, na Galiza. Desde 2009 que reside continuamente em Portugal, na região da Beira Alta.
Ativista social e independentista galego, está ligado ao movimento associativo na área ambiental, do bem-estar animal e da juventude. Autarca em Carregal do Sal e dirigente do Bloco de Esquerda no distrito de Viseu
Atualmente a realizar uma licenciatura em Estudos Europeus na Universidade Aberta.

Deixe o seu comentário

Skip to content