Não há qualquer necessidade de investir na construção de mais barragens no país, a insistência nesta ideia carece de sustentação credível, para além de ignorar completamente as consequências das alterações climáticas. Mesmo que a Ministra espanhola também já nos tenha mandado construir as nossas barragens.

Um dado importante de trazer a discussão é que de acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, em 2015, cerca de 30% de toda água da rede que abastece as habitações perdeu-se antes mesmo de chegar às torneiras.

Tentar resolver este problema poderia ser um passo importante para minimizar o problema de seca e desperdício de água. Para combater a seca não precisamos de mais barragens, tendo em conta o atual cenário de alterações climáticas, as barragens, em países como Portugal, não aumentam a resiliência às alterações climáticas porque os índices de evaporação em albufeiras são significativos.
A fragilidade no Tejo não se resolve colocando mais uma barragem, neste caso no seu afluente, no Rio Ocreza. Existem centenas de milhares de hectares que estão a ser regados na bacia do Tejo. Existe uma utilização muito intensa do regadio que é o principal objetivo para a construção da barragem do Alvito, mais especificamente o regadio no Ribatejo, estamos a falar de 80 mil hectares.

O Tejo não tem só uma responsabilidade com os agricultores da região, mas também com o ambiente e com todo o ecossistema que o envolve.

Não podemos dizer que a construção da barragem do Alvito, no rio Ocreza, nos vai garantir alguma independência no que concerne à gestão dos nossos recursos hídricos quando, e face ao cenário de seca existente, ainda no dia 8 de abril o Governo Espanhol, através do Ministério da Transição Energética, autorizou o transvase de 38 hectómetros de água do rio Tejo para o rio Segura. Os motivos para este transvase são contraditórios já que a Comissão Central de Exploração do Aqueduto Tejo-Segura constatou que o sistema se encontrava em situação de nível 2, o que quer dizer, de normalidade hidrológica, e, assim sendo, procedeu a autorização automática de um transvase de 38 hectómetros cúbicos. No entanto, nas conclusões do informe do Cedex, consultado pela Agência EFE, indica que o sistema de Entrepeñas-Buendía entrará em situação hidrológica excecional, que é de nível 3, até início de maio, e que se mantinha nesta situação no resto do semestre.
O Governo de Castilla-La Mancha recorrerá em tribunal o transvase de 38 hectómetros cúbicos do Tejo para Segura e vai no sentido das cinco recentes sentenças do Tribunal Supremo que anulam parte de Plano Hidrológico do Tejo “ao não se implementar os caudais ecológicos no rio”.

Há uma convenção que nos deveria proteger e que nos dizem ser respeitada, mas claramente precisa de ser aperfeiçoada.

São necessárias novas respostas e a recuperação ecológica para que a natureza se restabeleça e para revertermos o caminho das alterações climáticas. A artificialização dos cursos de água tem trazido vários problemas ao país e ao mundo com a disponibilidade hídrica reduzida drasticamente e com um aumento brutal das emissões de metano e a eutrofização da água. A estagnação das águas em lagos artificiais combinadas com altas temperaturas implica igualmente uma menor disponibilidade de água para consumo e produção alimentar e uma maior incidência de poluição.

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Diego Enrique Rodrigues Garcia, nasceu no dia 1 de Agosto de 1992 em Ourense, na Galiza. Desde 2009 que reside continuamente em Portugal, na região da Beira Alta.
Ativista social e independentista galego, está ligado ao movimento associativo na área ambiental, do bem-estar animal e da juventude. Autarca em Carregal do Sal e dirigente do Bloco de Esquerda no distrito de Viseu
Atualmente a realizar uma licenciatura em Estudos Europeus na Universidade Aberta.

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