Foto de José Goulão

O Bloco de Esquerda consolidou-se como terceira força política em Portugal, com um crescimento considerável no Interior do país em contrapartida às perdas nos distritos do Porto, Lisboa e Faro, num ato eleitoral onde o PS não alcançou a maioria absoluta. Estas eleições culminaram numa derrota histórica da Direita e na entrada de três novos partidos no parlamento, o Livre, a Iniciativa Liberal e o Chega.

O Partido Socialista de António Costa venceu as eleições legislativas sem alcançar maioria absoluta, necessitando assim de procurar novos acordos no hemiciclo parlamentar e descartando, após reuniões com vários partidos, a possibilidade de um acordo a quatro anos tal como aconteceu na última legislatura, mas sim ir negociando caso a caso e orçamento a orçamento. Isto dá ao PS, uma margem de manobra enorme para as habituais encenações. Sabendo agora que a Direita (PSD, CDS, IL e Chega) não conseguem sozinhos deitar abaixo o Governo, só com os votos da Esquerda.

O Bloco de Esquerda, demonstrou que não é preciso falar muito para passar a mensagem certa no momento certo: foi a quinta força política mais falada pelos media – segundo um estudo da CISION, tendo pela frente o PS, PSD, CDS e CDU -, contudo conseguiu manter a sua representação parlamentar e, apesar de ter perdido votos, não deixou que no essencial a sua mensagem política fosse confundida ou esvaziada a favor do PS.

Mesmo com a entrada de duas novas forças políticas de direita e extrema direita, a derrota desta ala é clara. Todos somados, a Direita ronda os 35% dos votos. De fora da equação fica o PAN que continua a afirmar não ser nem de esquerda, nem de direita.

O Bloco sempre manifestou a sua disponibilidade, se o PS precisasse de maioria, para dar a continuidade a reposição de direitos no quadro da legislatura ou em negociações ano a ano para cada orçamento.

A proposta do Bloco está baseada nas prioridades que já se tinham anunciado, como acabar com as últimas medidas de austeridade da Troika na legislação laboral, mais investimento público no SNS, regulamentação da Lei de Bases da Habitação, transportes e uma resposta à emergência climática.

O Bloco apresentou uma proposta para um acordo que, tal como em 2015, incluísse compromissos no programa de Governo: Eliminar os cortes da Troika que permanecem na lei laboral (nos dias de férias, nas horas extra e nas compensações por despedimento e cessação de contrato), estabelecer um percurso para o aumento do salário mínimo e trabalhar em conjunto em três áreas: trabalho, segurança social e fiscalidade, serviços públicos e investimento público e clima.

O PS escolheu procurar o que acorda com cada partido, a cada momento, em função dos seus próprios interesses e, nos momentos orçamentais, terá a tentação de agitar a encenação política como chantagem.

Ao fechar a negociação de acordos estáveis, o PS escolheu uma situação que lhe parece confortável no mapa actual. Inclinando-se assim para medidas avulsas e obtendo o aplauso da direita económica.

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Diego Enrique Rodrigues Garcia, nasceu no dia 1 de Agosto de 1992 em Ourense, na Galiza. Desde 2009 que reside continuamente em Portugal, na região da Beira Alta.
Ativista social e independentista galego, está ligado ao movimento associativo na área ambiental, do bem-estar animal e da juventude. Autarca em Carregal do Sal e dirigente do Bloco de Esquerda no distrito de Viseu
Atualmente a realizar uma licenciatura em Estudos Europeus na Universidade Aberta.

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