É mais que aceitar um desafio. É uma obrigação enquanto cidadão e ativista.

Assumi encabeçar a lista de Bragança às Legislativas de 2019 com a convicção que só um partido como o Bloco de Esquerda pode fazer a diferença num distrito que foi abandonado, onde o investimento não existe e as desigualdades são abismais.

A nossa lista propõe-se a estas eleições com duas primeiras premissas fundamentais: as alterações climáticas e uma economia democrática.

Bragança e as alterações climáticas.

Para responder à primeira ideia, propomos uma transformação da mobilidade. 70% dos gases com efeito de estufa são provocados pela energia, que incluem os transportes. Numa região tão fustigada com a falta de investimento nos transportes é imperativo o investimento na ferrovia para que, essencialmente, Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela fiquem ligados por transportes verdes. Defendemos alternativas gratuitas e públicas para que os estudantes se possam movimentar dentro do distrito para atrair jovens fora do distrito.

Queremos apoiar os agricultores que apostem numa agricultura diferenciada contra a produção intensiva, limitando os fitofarmacêuticos. Queremos que a Política Agrícola comum sirva os agricultores e não apenas os grandes latifundiários.

Baixar o preço da energia e reduzir o IVA da eletricidade e do gás para 6%. É inaceitável que Portugal seja dos poucos países da Europa onde se assiste a mortes durante o inverno e o verão, porque as pessoas não têm capacidade financeira para aquecerem ou arrefecerem as suas casas, respetivamente. Numa região descaracterizada pela construção de barragens, o retorno para região é nulo. Exigimos medidas concretas, e não apenas medidas que mascarem um investimento em infraestruturas que não servem a população, na redução dos preços da energia na região e o financiamento na reabilitação das casas para as tornar mais eficientes em termos térmicos.

No distrito já se sentem as alterações climáticas, nomeadamente, nos grandes fogos que fustigam a região. Nas várias deslocações a corporações de Bombeiros, somos sempre confrontados com o problema das equipas de prevenção no terreno, mesmo nas épocas de baixo risco. É preciso que haja um aumento do financiamento das corporações de bombeiros por parte do poder central e que o financiamento concelhio seja fixo, não dependendo dos responsáveis políticos que estão no poder e da sua boa vontade.

Queremos uma economia democrática para a região.

Apesar do aumento do salário mínimo nacional (SMN), reposição de salários e direitos de trabalhadores, há muito por fazer.

A taxa de desemprego, na região, situa-se entre os 9,9% e os 18%. A região continua a ser aquela onde o emprego precário fez questão de se enraizar. Uma vez que é da agricultura que a maior parte dos habitantes vive, são as mulheres aquelas que continuam a ter empregos mais precários e temporários. A primeira medida é aumentar o SMN para os € 650 para o público e privado já em 2020.

A nossa região é aquela onde existe maior disparidade relativamente às regiões litorais, apresentando índices de coesão mais baixos. É insustentável que os grandes equipamentos e serviços coletivos básicos de qualidade estejam centralizados. A par, assistiu-se à privatização dos CTT e ao encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos que tanta falta fazem aos nossos habitantes. Exigimos a renacionalização imediata dos CTT e, a curto prazo, a renacionalização de todos os serviços que eram públicos e foram privatizados pelos governos de PS e PSD-CDS.

Queremos uma aposta no ensino superior em Bragança. Queremos investimento no Instituto Politécnico de Bragança. Queremos que o IPB chegue aos estudantes de todos os concelhos da região e, para isso, é preciso investir na ciência e nos centros de investigação e desenvolvimento. Só assim atraímos investigadores, e, por consequência, um forte corpo docente, e estudantes que se fixem ao fim dos três ou cinco anos. O IPB é o melhor Politécnico a nível nacional. Defendemos que o IPB atribua o grau de Doutor. Estas medidas são cruciais para o investimento científico, para a fixação de jovens e para desenvolvimento regional.

Porque acredito que vamos fazer mais e melhor. Vamos para a luta!

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Linguista, investigador científico, feminista e ativista social.
Nascido em Lisboa, saiu da capital rumo a Terras de Trás-os-Montes e cedo reconheceu o papel que teria de assumir num interior profundamente desigual. É aí que luta ativamente contra as desigualdades sexuais, pelos direitos dos estudantes e dos bolseiros de investigação. Membro da Catarse - Movimento Social, movimento que luta contra qualquer atentado à liberdade/dignidade Humana. Defende a literacia social e política.

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