Foto por T Rassloff | Flickr

A ascensão da extrema-direita política tem crescido nos últimos anos. As forças extremistas, antidemocráticas, racistas e xenófobas surgem pela primeira vez estruturadas politicamente em partidos após a Iª Grande Guerra Mundial, tendo culminado com a ascensão ao poder do partido Nazi, de Hitler, na Alemanha, em 1933 e do partido fascista de Mussolini, na Itália, em 1922. Nos escombros da 2ª Grande Guerra Mundial destaca-se a derrota total destas forças, refletindo um longo período de inoperância e incapacidade de intervenção política. Em 2014, em países como o Reino Unido, a Dinamarca e a França, a extrema-direita alcança entre 20% a 30% do voto do povo e contamina a chamada direita “clássica” – a dita democrática. 

Obviamente que aquilo que está a acontecer na Europa, e um pouco por todo o mundo, não terá a mesma estratégia que teve o nazismo e o fascismo. Primeiro, porque a História nunca se repete e, segundo, a estratégia, hoje, é brindada com as redes sociais. Mas há algo em comum: o medo. Uma pesquisa levada a cabo semanas antes da eleição de Jair Bolsonaro mostrava que o medo pairava no eleitor conservador de direita. E o medo transforma-se em ódio: ódio esse que não se orienta nem se envolve nas lutas contra a corrupção, as injustiças sociais e económicas, a evasão fiscal, mas, sim contra as minorias: os imigrantes, as mulheres, os negros, os ciganos. Enfim, as classes mais desfavorecidas da sociedade. A fórmula é simples: vender a ideia de uma democracia fraca, onde se junta a promessa de uma estabilidade económica e política pelo meio da força e o resultado é o autoritarismo.

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Linguista, investigador científico, feminista e ativista social.
Nascido em Lisboa, saiu da capital rumo a Terras de Trás-os-Montes e cedo reconheceu o papel que teria de assumir num interior profundamente desigual. É aí que luta ativamente contra as desigualdades sexuais, pelos direitos dos estudantes e dos bolseiros de investigação. Membro da Catarse - Movimento Social, movimento que luta contra qualquer atentado à liberdade/dignidade Humana. Defende a literacia social e política.
(O autor segue as normas ortográficas da Língua Portuguesa)

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