Foto por T Rassloff | Flickr

Como vimos na crónica anterior, começámos por uma retrospetiva histórica dos movimentos de extrema-direita que estão em ascensão e vimos que estratégias usam estes movimentos.

Uma das grandes diferenças, é o facto de a burguesia e a classe aburguesada, os financiadores dos partidos autoritários, reclamarem a globalização capitalista neoliberal ao contrário do nacionalismo económico, defendido no início do século XX. Se na primeira metade do século XX, os primeiros países com movimentos autoritários foram aqueles que mais sofreram com a crise económica, no século XXI, foi nos países que menos sofreram que os movimentos ganharam força. Já a Frente Nacional na França, a Alternativa para a Alemanha, o Partido Popular Suíço e o Partido da Liberdade da Áustria ganhavam poder dentro das instituições democráticas, ainda a Aurora Dourada na Grécia, o Vox na Espanha e o Chega em Portugal estavam pouco presentes na cena pública. 

Estes partidos têm algo em comum: as forças da burguesia estão integradas no jogo político e usam o medo como arma. É a direita chauvinista, xenófoba, racista, que odeia os imigrantes (não fosse a Europa um continente de emigrantes) que espalha o ódio e o medo para instaurar a insegurança, a repressão policial, a reintrodução de penas perpétuas e, em alguns casos, penas de morte. Usam as classes mais baixas, branca, trabalhadora, com poucos estudos para semear o ódio não contra os grandes interesses instalados que dividem as pessoas, mas para semear o ódio entre pessoas da mesma classe.

 

O historiador Manuel Loff debate bastante sobre como apelidar aquilo que estamos a viver: se é fascismo, neofascismo ou pós-fascismo. Parece-me, pois, importante salientar que apesar da transformação ou modernização destes movimentos, a extrema-direita é um perigo real à democracia. Não podemos esquecer que Hitler e Mussolini chegaram ao poder pelo voto popular. Aliás, é essa a estratégia dos liberais: é através da mobilização do medo que legitimam a mais velha forma de dominação de classe: o voto. É da derrota dos movimentos operários e socialistas que sai a coligação de direita em Itália que coloca Mussolini no poder, levando à fascização de todo o Estado. Só quando Mussolini discursa no parlamento, legitimando o assassinado do deputado socialista Giacomo Matteotti, é que os liberais se apercebem do erro de terem elegido Mussolini.

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Linguista, investigador científico, feminista e ativista social.
Nascido em Lisboa, saiu da capital rumo a Terras de Trás-os-Montes e cedo reconheceu o papel que teria de assumir num interior profundamente desigual. É aí que luta ativamente contra as desigualdades sexuais, pelos direitos dos estudantes e dos bolseiros de investigação. Membro da Catarse - Movimento Social, movimento que luta contra qualquer atentado à liberdade/dignidade Humana. Defende a literacia social e política.
(O autor segue as normas ortográficas da Língua Portuguesa)

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