Começo este artigo informando que Portugal é, tendo em conta as regras do sistema capitalista (armadilha), dos países mais ricos do mundo! Mais: dos 186 países mapeados no planeta terra, Portugal é dos países que mais produz bens e serviços, tendo em conta o indicador macroeconómico PIB (produto interno bruto), estando no 36º lugar no ranking das nações mais ricas do sistema (qualidade de vida). Desde 1996, data em que o Banco Mundial nos promoveu, somos considerados um dos países com a média de rendimento mais alta… Estas notas não deixam de ser surpreendentes, pois consideram que 86% da população mundial é mais pobre do que nós. Para além destes motes, somos sentidos como bestiais, pois temos os melhores jogadores e treinadores de futebol do mundo, ganhamos o campeonato europeu de futebol, ganhamos o festival europeu da canção, somos os anfitriões da web summit. Somos, há três anos consecutivos, um dos melhores destinos turísticos do mundo e, não menos importante, o terceiro país mais pacífico do mundo. Em termos teóricos, somos uma grande nação! Tal como o fascista dizia: “Somos um país grande, não somos um país pequeno. Comanda­mos interesses muitas vezes importantes, e isto no Mundo”. Apesar de crescermos há três trimestres consecutivos (é o período mais longo de crescimento desde 1977) e o desemprego continuar a decrescer (6%), o diagnóstico pode não ser promissor, pois as transformações radicais, que estão a acontecer ao mesmo tempo, em quase todas as áreas decisivas (a grande abertura política geoestratégica, as tecnologias de informação, as novas fontes de energia, a globalização da corrupção e dos capitais, os avanços na medicina, no ensino e no trabalho, entre outros.), vão dar ainda mais dores aos portugueses, visto o País não estar, estruturalmente, preparado para estas grandes mudanças que estão a bater à porta. À data, estão a desaparecer mais profissões do que espécies animais e – apesar do esforço da geringonça – a desigualdade de rendimentos ainda não diminuiu. Lá fora, as grandes potências mostram irritabilidade crescente e falta de vontade democrática. Tal como as bombas de Trump, o Brexit de Johnson não deixará boas recordações. Porém, apesar de sabermos que andamos na corda bamba, definidos pelos outros, continuamos com a cabeça enfiada na areia! A economia portuguesa não tem capacidade para investir e, devido ao neoliberalismo que se impos em Portugal, os centros de decisão encontram-se em off-shores… Os bancos, que perderam a capacidade para emprestar às empresas (o pouco investimento realizado deve-se aos capitais próprios disponibilizados pelos empresários), continuam a “oferecer” dinheiro às famílias que, não tendo capacidade para poupar, adquirem imobiliário sobreavaliado. Quanto ao excedente orçamental: esta novidade deve-se, ainda, ao nível dos impostos (37%) mais contribuições que Vitor Gaspar impôs a todos nós, a todos os poucos que pagam impostos pois, apesar da taxa ser das mais elevadas da europa, a coleta é das mais baixas do mercado comum, que não harmoniza o sistema. Vendemos quase tudo; a maior parte da dívida total bruta é privada e o euro, que tem permitido o consumo exagerado de taxas de juro baixas, custar-nos-á uma enorme ressaca… O superavit, juntamente com a ausência de políticas de desagravamento fiscal, a inexistência de políticas relativas a reformas estruturais, a carência de incentivos para o fomento de competitividade empresarial, entre outros, levar-nos-á a ouvir o canto do cisne…

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Nasceu e cresceu em Viseu, no seio de uma família com fortes raízes na cidade. Vive em Lisboa desde 2007 e desenvolve o seu trabalho, como consultor financeiro, no projeto Anytime Consulting. É dirigente associativo desde muito novo, estando ligado à política, ao desporto e à economia. Na luta do dia a dia tem avançado superando os fracassos, tendo em conta que o carácter de cada homem é mediador da sua “sorte”.

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