É notório que a Comissão Europeia tem falhado com os europeus, visto não estar a conseguir implementar a tão desejada harmonia por todo o território; estando a errar na gestão da união económica e monetária, no reforço da coesão económica, social e territorial e na promoção da paz e da solidariedade entre os cidadãos europeus! Na guerra contra a corrupção (entre outros, os vistos gold são um dos exemplos mais aberrantes da política neoliberal) e nas batalhas contra a injustiça, a exclusão social e a discriminação. Ultimamente, por falta de humanismo e de capacidade de decisão, os governos europeus têm promovido políticas de confinamento indiscriminadas, que estão a levar as diferentes economias europeias para um buraco que poderá ser ainda mais fundo do que as políticas fascistas tidas no período obscuro da troika; período esse que corroeu a pouca riqueza, então, existente. Na altura, o governo PSD/CDS fez questão de acabar com todas as esperanças, degradando a forma como a riqueza se distribui em Portugal, fazendo com que as pessoas ficassem mais pobres do que em 2010. As últimas crises proporcionaram, também, o empobrecimento das gerações adultas mais jovens (entre os 18 e os 35 anos), fazendo com que estes tenham perdido cerca de metade da riqueza, que a mesma faixa etária tinha em 2010. Fazendo com que as suas expetativas se dissipassem! As situações de pobreza em Portugal, que não atingem todos por igual, que estão centradas na população mais jovem, são uma realidade dramática que deverá aumentar, visto a oferta de emprego ser assente em trabalho mal remunerado e precário. Note que, uma das formas de medir a desigualdade, que tem a ver com o rendimento recebido, também foi anulada, pois a capacidade em acumular rendimentos que se transformam em riqueza, em património líquido, que fica à disposição das famílias (ativos reais, como a habitação, o automóvel, investimentos financeiros, etc.) também foi minimizada. Sabendo que, somente as dinâmicas da economia e do bom emprego é que poderão disponibilizar riqueza e proporcionar reservas de rendimentos, que deverão ser mobilizados para situações do dia-a-dia ou para situações difíceis, fazendo toda a diferença na vida concreta das famílias, o sistema tem de ser alterado. Sendo Portugal um país desigual, no modo como distribui rendimentos e riqueza, o atual governo, que se diz de esquerda, não pode continuar a impor austeridade de direita, confinando toda a economia por igual. Sabendo que Portugal se esforça pouco em matéria de transferências sociais, ficando muito aquém da média europeia, o Estado-providência tem de rever as regras de anticorrupção e de confinamento, não podendo continuar, por um lado, a alimentar monopólios privados e, por outro, a indiscriminar a população. O estado português tem de – urgentemente – reforçar os programas de reinvestimento público, das renacionalizações e de transferência que geram impacto social positivo, tal como o valor do ordenado mínimo, o valor das pensões e do subsídio de desemprego, dos abonos de família (a população está a decrescer a olhos vistos), dos apoios à habitação e à inserção.

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Nasceu e cresceu em Viseu, no seio de uma família com fortes raízes na cidade. Vive em Lisboa desde 2007 e desenvolve o seu trabalho como empresário em nome individual. É dirigente associativo desde muito novo, estando ligado à política, ao desporto e à economia.

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