Terra incógnita

Linha - Comboio - Mangualde
Linha – Comboio – Mangualde

Dez anos depois, voltámos a ter uma nova recessão. Já perdi a conta às crises cíclicas que vivi… Porém, esta crise, que é resultado de uma pandemia, poderá ser o ultimato ao sistema que nos devora há décadas! 

O problema é sistémico e estrutural. Dou um exemplo: em pleno século XXI, o território entre Viseu e Salamanca é, ainda, uma “terra incógnita” por descobrir. Apesar de todas as promessas e palavras vãs dos nossos autarcas e governantes, de outras profecias europeias e dos milhares de milhões recebidos, o corredor ferroviário Aveiro – Vilar Formoso – Salamanca, que deveria passar por Viseu, ainda não existe!

Tal como a requalificação do itinerário principal três (atualmente, considerada um logro) que tarda em ligar convenientemente o centro ao sul do País… ou o parque industrial… com indústria, que nos ligará ao resto do mundo. O nosso território, que é periférico, fronteiriço e isolado, mas que está no centro de Portugal, poderia – tendo em conta o jacente projeto europeu – ser um dos espaços de ligação e fluxo entre cidades da Europa. Mas… não é! Não tenho dúvidas que a sub-região Dão Lafões poderia ser um território com mais impacto caso, tal linha ferroviária, projetada para bitola europeia, fosse, nos dias de hoje, um dos eixos de ligação à Europa e, antes de mais, uma correlação com um espaço que, estando aqui tão perto, parece estar tão longe: Castilla y Léon. Esta comunidade, que é uma região autónoma espanhola, histórica e cultural, com quase três milhões de habitantes, é vizinha e, como tal, deveria facilitar a incrementação da dinâmica de relacionamento transfronteiriço que o norte da região centro interior do País tanto necessita. Tal região é rica em comércio, em agricultura e em turismo; e a indústria (aeronáutica, química e automóvel) é pujante! Em Valladolid, por exemplo, fabricam-se automóveis desportivos (Tauro Sport Auto) e apanha-se um comboio de alta velocidade (AVE) até Madrid. Naquela região, ainda incógnita para a maioria dos beirões, come-se, para além dos bocadillos, carne de bovino deliciosa! Adoro…! Porque não há tempo, autorização (os governos austeros resolveram decretar falência a tudo e mais alguma coisa) e dinheiro para grandes banquetes (a não ser para a banca), para a má governança e para a conversa fiada (leia-se o Plano de Recuperação e Resiliência), espero que a próxima década seja definitiva na transformação da sub-região Dão Lafões, onde cerca de trezentas mil pessoas mantêm uma capacidade produtiva média de trabalho inferior aos valores observados no restante território nacional. A nossa região, com um poder de compra inferior ao da média europeia, não pode continuar a alimentar, somente, o negócio do retalho, que é pertença das grandes superfícies, e a sustentar (na sua proporção) a bolha imobiliária cíclica que tem permitido o enriquecimento de um punhado de investidores e o empobrecimento (dívida) das pessoas. Ou seja: em termos gerais, os beirões terão de se ligar à Europa e ao resto do Mundo e, antes de mais, deverão criar redes comerciais (comércio local justo) e culturais fortes com a região de Castilla e Léon

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Nasceu e cresceu em Viseu, no seio de uma família com fortes raízes na cidade. Vive em Lisboa desde 2007 e desenvolve o seu trabalho como empresário em nome individual. É dirigente associativo desde muito novo, estando ligado à política, ao desporto e à economia.

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