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Contabilidade / Economia / Estatística
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Grande parte da sensatez política dos portugueses é limitada desde muito cedo, pois a iliteracia económica (e financeira) é imposta à maior parte dos estudantes. Nas escolas portuguesas, a partilha de reflexões, tendo em conta o pensamento e as opiniões próprias acerca da economia local, por exemplo, é muito rara, ficando para os “atrevidos” a capacidade de pensamento sobre as realidades económicas do dia-a-dia do concelho e do distrito; sobre a produção, distribuição e consumo locais e sobre o papel do Estado Social e das autarquias, do desemprego, das desigualdades, das vantagens e desvantagens da globalização (pensar global, agir local). Escrevo isto, porque os viseenses parecem fazer questão de não entender o porquê de continuarem a habitar numa das regiões mais pobres da Europa! 

Hoje em dia, o Parlamento Europeu estabelece todas as despesas (financiamento das políticas e programas) e receitas dos vinte e sete países membros, no valor de 338 mil milhões de euros, mais cêntimo menos cêntimo. Porém, ao contrário do que era expetável, o Parlamento, em conjunto com o Conselho Europeu, não distribui tal orçamento equitativamente por todas as regiões dos vinte e sete, permitindo o caminho do crescimento insustentável da União Europeia (UE). 

A prova desta afirmação é o fato de, apesar de tantos euros e do eventual crescimento económico da UE, ainda haver regiões “ricas” com sérios problemas de desigualdade, de género, de cor, de crença ou grupo social e de acesso aos direitos básicos, tais como o acesso à habitação, educação, saúde, trabalho e mobilidade. Desde 1997, devido à aplicação da regra orçamental sob a forma das contas certas, do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), que estabelece, como objetivo, a manutenção de saldos orçamentais equilibrados ou excedentários (mesmo havendo miséria), definindo limites máximos de 3% para o saldo orçamental e de 60% para a dívida pública na zona euro (onde fazem parte 19 dos 27 países membros), que Portugal engonha… Mesmo em alturas de crise acentuada, como a atual, em que tal pacto se encontra suspenso e há dinheiro público para investir! 

São opções tomadas pelos governos eleitos de António Costa e de Bruxelas, que permitem que as políticas económicas nacionais se baseiem em truques contabilísticos, tal como a desorçamentação dos planos financeiros. Planos que deveriam ser estratégicos, com vista à recuperação económica do País; do bem-estar social das pessoas, das famílias e das empresas, mas que criam desigualdade e pobreza. 

Ora, estando a dívida pública portuguesa na ordem dos 135%, devido, entre outras, às más práticas das políticas do bloco central e do sistema financeiro privado, tais truques continuarão a impedir o caminho para a convergência. Uma coisa é certa: as regiões de Portugal não deslumbrarão enquanto não se aplicar a lei da regionalização, não se reestruturar a dívida, não se investir na justiça e não se nacionalizar os monopólios naturais essenciais à economia. Por estas razões, enquanto Portugal não se restabelecer como nação viva, o Bloco deverá continuar o seu caminho, fazendo a luta toda; votando contra todos os orçamentos da direita. 

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Nasceu e cresceu em Viseu, no seio de uma família com fortes raízes na cidade. Vive em Lisboa desde 2007 e desenvolve o seu trabalho como empresário em nome individual. É dirigente associativo desde muito novo, estando ligado à política, ao desporto e à economia.

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