Questões a Azevedo e Ruas

Lavagem de dinheiro
Lavagem de dinheiro
Foto por klimkin | Pixabay
Em 2015 o tempo era de vacas magras! A sustentabilidade dos serviços públicos, nomeadamente da segurança social e do serviço nacional de saúde, estava nos mínimos. A economia não permitia qualquer aumento do salário mínimo e os cortes planeados da qualidade de vida das pessoas (salários e pensões), para poupar no curto prazo, era regra vigente. Vivia-se um período de escassez do nível de produção, da comercialização e do consumo de produtos e serviços. O ciclo económico era de recessão, de troika, de políticas neoliberais compulsivas que desequilibravam, dia após dia, as contas públicas e a sociedade. Com o mercado interno obstruído, o Estado pedia mais impostos a menos contribuintes e recusava-se a investir em infraestruturas; em equipamentos rodoviários, ferroviários, portuários; em instalações de produção de energia, de transporte e distribuição; em infraestruturas básicas de água e saneamento, de saúde, desporto e educação. Era tempo de se iniciar um acordo parlamentar entre as esquerdas, que visasse salvar o País da democracia rota, do resultado de governações corruptas. É verdade que tal acordo existiu e que permitiu parar com o plano de privatizações e proteger, em parte, o Estado social. Porém, apesar dos esforços, os resultados obtidos entre 2015 e 2019 foram parcos, pois antes do início da atual crise pandémica, o País continuava a ser vítima de uma forte desaceleração do crescimento económico, de uma grande queda da produção industrial e de uma redução do comércio mundial. Por outro lado, o governo de António Costa continuava a ceder à chantagem europeia e a permitir que o Estado português pagasse diversas rendas ao setor financeiro (PPP), a assinar subordinações de longo prazo (veja o caso da venda do Novo Banco à Lone Star) que permitiam, tal como hoje em dia consentem, perdas colossais de rendimentos públicos (impostos) por parte do Estado. À data, em véspera de eleições autárquicas, a realidade é esta: após tempos miseráveis de Sócrates e de Passos Coelho, da troika; após seis anos de governos de Costa, supostamente de esquerda, ainda há «gente a viver abaixo de todas as possibilidades, sobrevivendo acima das probabilidades», gente que vê reduzidos os seus parcos rendimentos… Agora, queremos saber se a próxima gestão dos programas com financiamento comunitário (que virão, em grande parte, reduzidos e em forma de dívida), será dirigida ao setor produtivo, às micro e pequenas empresas, às empresas em nome individual. Contudo, se assim for, queremos saber como serão orientados tais fundos, visto Portugal não ter uma política de orientação industrial e agrícola. Por isso, perguntamos: deverão esses milhares de euros ser entregues ao setor privado, ao setor do turismo, ao setor das energias, aos negócios em sistema de franchising do imobiliário e às produções privadas de eucaliptal e Olival intensivos? O que se deverá fazer? Manter um sistema que não nos permite evoluir? Que permite o rentismo? A corrupção? Ou romper com tal sistema, que tem aniquilado as comunidades locais, o interior do nosso País? A nossa região! Nos próximos tempos, Azevedo e Ruas terão de responder a estas questões, custe o que custar…

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Nasceu e cresceu em Viseu, no seio de uma família com fortes raízes na cidade. Vive em Lisboa desde 2007 e desenvolve o seu trabalho como empresário em nome individual. É dirigente associativo desde muito novo, estando ligado à política, ao desporto e à economia.

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