Foto por Taylor Wilcox on Unsplash

A autarquia de Viseu tem alimentado, ano após ano, o paradigma que assola o ensino no interior de Portugal: a falta de foco. Apesar da escola (a ovelha ronhosa da República), dos professores e dos métodos serem melhores, hoje, do que há uma ou mais décadas atrás, visto o universo ter – com as devidas exceções – excelentes condições para trabalhar, ainda há problemas que persistem em existir, fazendo com que a Escola, por vezes, ensine mal.  Estando os responsáveis muito importados com os números, com a média da OCDE; o combate ao insucesso escolar e ao absentismo passa por atirar milhões de euros para rubricas que não os leva a lado nenhum. Por exemplo: ao invés da Autarquia investir massivamente na “contratação de mais professores, assistentes operacionais e técnicos, de encontrar espaços possíveis e disponíveis para que exista desdobramento de turmas”; investir na formação contínua dos professores e na população do ensino público, empregando recursos na qualidade das refeições, na biblioteca escolar e no ambiente (espaços comuns), chamando e retendo população, aplica dinheiro na especulação, nomeadamente na oferta de manuais escolares aos alunos do 1º, 2º e 3º ciclos do ensino – pasmem-se – privado. O exemplo parece uma embirração de coca-bichinhos, mas não é, pois, eu, que nada tenho contra o ensino privado, julgo que a autarquia não deveria alimentar alegados privilégios e regimes excecionais de favor a tais escolas não públicas! Por outro lado, quando o Município diz que vai investir mais de 1,7 milhões de euros nas diferentes áreas e necessidades educativas do concelho, esquece-se de dizer que tal dinheiro é menos de 1% do orçamento da autarquia de Viseu. Menos dinheiro do que o orçamentado para a cultura e festas abundantes… Eu, que nada tenho contra a cultura em abundância, considero – antes de mais – que o futuro das nossas crianças e jovens está na educação; num ensino público que “sente” todos os cidadãos com a mesma dignidade e a mesma certeza perante a lei. Numa forma sistemática fiel à República laica, à Constituição! Ora, tendo em conta as regras do bom senso e do custo de oportunidade, que mensura o custo daquilo que se deixa de fazer quando é preciso fazer uma escolha de qualquer tipo (investir dinheiros públicos no setor privado, por exemplo), a Autarquia, ao gastar dinheiro com a escola não pública (que é dos privados), não está a ser civilmente responsável, de forma solidária, com os seus. A autarquia está a violar os direitos, liberdades e garantias dos estudantes e professores que não querem estudar e ensinar na escola privada. Note-se que a lei suprema garante a liberdade de aprender e ensinar, garantindo o direito de escolas particulares e cooperativas (tal como o direito à propriedade privada), mas não refere a permissão para pagar tais regalias. Tais privilégios e regimes excecionais… 

Outros artigos deste autor >

Nasceu e cresceu em Viseu, no seio de uma família com fortes raízes na cidade. Vive em Lisboa desde 2007 e desenvolve o seu trabalho, como consultor financeiro, no projeto Anytime Consulting. É dirigente associativo desde muito novo, estando ligado à política, ao desporto e à economia. Na luta do dia a dia tem avançado superando os fracassos, tendo em conta que o carácter de cada homem é mediador da sua “sorte”.

Deixe o seu comentário

Skip to content