Bruxura escondido com o rabo de fora

Desde sempre ouço dizer, a expressão espanhola, “No creo em brujas pero que las hay las hay!” traduzida: “Não acredito em bruxas, mas que as há, há!”; porém, o melhor equivalente em português, pessoalmente, creio ser a expressão, “Não é merda, mas cagou-a o cão!”. E esta acredito que seja, das expressões populares, a que melhor se aplica ao líder da extrema-direita (sem prejuízo para qualquer canídeo, é claro!). 
Bruxas – Foto de Gustavo Veríssimo | Flickr

Desde sempre ouço dizer, a expressão espanhola, “No creo em brujas pero que las hay las hay!” traduzida: “Não acredito em bruxas, mas que as há, há!”; porém, o melhor equivalente em português, pessoalmente, creio ser a expressão, “Não é merda, mas cagou-a o cão!”. E esta acredito que seja, das expressões populares, a que melhor se aplica ao líder da extrema-direita (sem prejuízo para qualquer canídeo, é claro!). 

Sobre as suas frequentes mentiras e contradições, de cambalhota à retaguarda com mortal encarpado para o lado que lhe der mais jeito, já muitos e muito se diz. Por esta altura, já só não crê nessa bruxa e ainda nele vê qualquer tipo de alternativa e/ou solução, quem muito cego quer ser, ou apenas finge não ver por seu interesse privado.

“Dessa bruxaria” temos exemplos claros em candidatos apoiados por Ventura, nas listas da seita que é o seu partido, os quais o indivíduo defende, publicamente, de declarações, acções e até mesmo crimes de ofensa pessoal – o próprio André Ventura não é alheio a este facto, ainda que queira mascará-lo com eufemismos, as suas declarações são, frequentemente, misóginas, racistas e xenófobas, mandar deputadas para a “terra delas”; acusar de “bandidagem” famílias das quais não sabe mais do que a morada e a etnia; ou tentar usar-se do aspecto físico de um deputado para o enxovalhar a si e à sua esposa (má mulher porque não passa a roupa a ferro), não se desculpa com eufemismos, é evidente o que estas declarações significam e o que transparecem.

(Permita-se-me, já agora este aparte, se há assim tão pouco racismo em Portugal, porque o explora, tão descaradamente, Ventura para proveito político? E porque o incomodam tanto os mais desafortunados? Onde está, então, a sua doutrina profética de seminarista?)

Esta transparência evidente do ódio que propaga é, de facto, uma das grandes questões de como esta bruxa se esconde encavalitada na sua vassoura à descarada. Ventura: que se diz lutar contra o mesmo sistema que, profissionalmente, defende; que tem sempre na boca a demagogia bacoca; e que não se coíbe de “arejar o sovaco” (disso não tem ele vergonha); este cata-vento político, repete, ad aeternum, a máxima anti-socialista associada a partidos fascistas do século passado (nisto não está, de resto isolado, em relação à restante direita portuguesa), reclama, constantemente, uma nova república, centrada em valores do tempo da velha senhora, onde conquistas político-sociais seriam vedadas e vetadas a milhares de portugueses (alguns deles até mesmo tidos por “de bem”), aliás, a sua obsessão pelos tempos da velha senhora é tal, que nem se coibiu de copiar a bafienta máxima salazarenta, «Deus, Pátria e família». Acrescentar ao final da expressão a palavra trabalho não desprove a mesma do seu valor original, apenas demonstra a sua intenção de propalar a prisão de que Abril nos libertou (também neste ódio a Abril não esta sozinho à direita).

Outro exemplo, da transparência com que demonstra a sua “bruxaria”, está na coligação que concorreu ao Parlamento Europeu; poderíamos olhar para o nome da coligação, Basta!, apenas como uma jogada semântica em que o seu partido fica, obviamente, mais favorecido do que o parceiro de coligação, contudo, este seu parceiro é um partido que quer, também, acabar com a república. É um partido, de gentes “de bem”, que acredita que por um qualquer desígnio obscuro alguém merece por sangue e herança reinar o país.

Portanto, o quarto pastorinho criou um partido-seita de culto da personalidade (e para onde migraram imensos confessos racistas, nacionalistas e outros «istas» pouco desenvolvidos intelectualmente), defende o fim da república, adoptou como lema a máxima podre do Estado Novo, e coligou-se, não há tanto assim, com um partido que defende a monarquia (em oposição à república), ou seja o culto duma personalidade, obscuramente, herdeira dum trono, com base em ideias e conceitos obsoletos e retrógrados. Só posso concluir que, não creio em bruxas, mas que o gajo é facho?, ai, lá isso é!

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Nasceu em Macedo de Cavaleiros, Coração do Nordeste Transmontano, em 1983, onde orgulhosamente reside. Licenciado em Línguas, Literaturas e Culturas, publicou poemas e artigos na extinta fanzine “NU” e em blogues, antes de editar em 2015 o livro-objecto “Poesia Com Pota”. Português de Mal e acérrimo defensor da regionalização foi deputado municipal entre 2009-2013.
Este autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico.

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