Foto por Movimento Estrela Viva | Facebook

Das flores azul-violeta do cardo obtém-se um extracto rico em enzimas, as cardosinas, que é usado desde há séculos para coagular o leite de ovelha e assim produzir o “nosso” Queijo da Serra. O extracto – de uso obrigatório para obter o estatuto de Designação de Origem Protegida (DOP) – é ainda hoje preparado de forma tradicional, não padronizada, contribuindo para que cada queijo seja único e irrepetível na sua textura e sabor.
As virtudes desta herbácea não se esgotam, todavia, na magia do queijo: as suas raízes, que podem chegar aos 5 metros de profundidade, permitem-lhe extrair água e nutrientes de zonas profundas do solo e assim sobreviver em solos áridos e rochosos, nas condições extremas do Verão Mediterrânico. Com vantagens ambientais – enriquece o solo e combate a erosão e desertificação, sem necessidade de irrigação ou agro-químicos – e para a economia local, pois pode também ser usado para produzir forragem para o gado (numa lógica circular), biomassa, biodiesel (a partir do óleo obtido por prensagem das sementes) e até – imagine-se! – compostos bioactivos com interesse para a indústria farmacêutica.
O cardo: um resiliente versátil e multifuncional que poderá contribuir para o desenvolvimento económico e sustentável em tempos de alterações climáticas.

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O Movimento Estrela Viva é um grupo informal de cidadãos com ligações à Serra da Estrela e regiões limítrofes que surgiu após os incêndios de outubro de 2017, e que se afirma laico, apartidário e sem fins lucrativos. Tem a missão de proteger e valorizar o território através de ações de preservação da natureza e de desenvolvimento do meio rural (promoção de produtos endógenos, valorização das comunidades, preservação de valores e tradições), sustentadas em modelos colaborativos e de cooperação com parceiros locais, na capacitação dos cidadãos e segundo uma lógica de desenvolvimento sustentável.
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