Lagoas de Figueiró: ação de recuperação ambiental

No passado sábado, 19 de fevereiro, o Movimento Estrela Viva reuniu cerca de 60 participantes em Figueiró da Serra, naquela que foi a primeira ação de intervenção florestal promovida pelo MEV no Concelho de Gouveia.

A iniciativa consistiu na desmatação e controlo de espécies invasoras, plantação e sementeira de  espécies autóctones, poda e manutenção de vegetação nativa resultante de regeneração natural e  reaproveitamento de madeira ardida para a construção de mobiliário de lazer, tudo com objetivo final de  recuperar e devolver à comunidade local e visitantes um espaço de características únicas que se encontrava  abandonado desde os incêndios de 2017.  

A iniciativa, promovida pelo MEV com o apoio da União das Freguesias de Figueiró da Serra e Freixo da  Serra, da Câmara Municipal de Gouveia e de várias organizações locais (como a Comissão de Festas de  Santa Eufémia, a Carpintaria Oliveira da Ponte e a Associação Estrela Preta Verde), contou com uma forte  adesão da população, como já vem sendo hábito neste Movimento que tem na promoção da cidadania ativa  um dos seus eixos prioritários de intervenção. Entre voluntários da comunidade local, novos habitantes,  pessoas vindas de outras zonas da Serra da Estrela, organizadores e parceiros, foram cerca de 60 pessoas,  dos 8 aos 80 anos, as que responderam afirmativamente à chamada, marcando presença e contribuindo  ativamente para a recuperação deste espaço de quase 2 ha na envolvência da Lagoas de Figueiró da Serra  (Gouveia). 

O espaço, de boa memória para os habitantes locais, encontrava-se desaproveitado e ao abandono desde  que, em 2017, os incêndios florestais devastaram toda aquela zona, sendo hoje aproveitado,  fundamentalmente, para abastecimento de água aos meios aéreos de combate ao fogo. Com a iniciativa  deste sábado, foi possível plantar e semear cerca de 1000 árvores e arbustos autóctones (carvalhos,  castanheiros, bétulas, medronheiros, entre outros), promover (através de poda) a regeneração natural de  cerca de 500 espécimes endógenos (cerejeiras, carvalhos, castanheiros, salgueiros, sabugueiros, entre  outros) e eliminar alguns espécimes invasores (acácias, por exemplo), restaurando assim a biodiversidade  e recuperando este espaço em pleno Parque Natural da Serra da Estrela e com vista privilegiada para o vale 

do Mondego. Finalmente, por forma a tornar este “novo” espaço de lazer ainda mais agradável, foram  construídas mesas e bancos em madeira maciça, aproveitando a madeira ardida existente no terreno.

A ação terminou, como não poderia deixar de ser, com um almoço-convívio no local, oferecido pela União  de freguesias que se comprometeu ainda a efetuar, com o apoio da comunidade local, a manutenção do  espaço através de ações regulares de rega das árvores plantadas e semeadas bem como de outras ações  que se venham a revelar necessárias.

O Movimento Estrela Viva é um grupo informal de cidadãos com ligações à Serra da Estrela e regiões limítrofes que surgiu após os incêndios de outubro de 2017, e que se afirma laico, apartidário e sem fins lucrativos. Tem a missão de proteger e valorizar o território através de ações de preservação da natureza e de desenvolvimento do meio rural (promoção de produtos endógenos, valorização das comunidades, preservação de valores e tradições), sustentadas em modelos colaborativos e de cooperação com parceiros locais, na capacitação dos cidadãos e segundo uma lógica de desenvolvimento sustentável.
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