A Plataforma Já Marchavas, em total solidariedade para com o movimento de luta pelos direitos LGBTQIA+ em Espanha, condena este ato hediondo que acabou com a vida de Samuel Luiz Muñiz. Com apenas 24 anos de idade, o jovem homossexual foi brutalmente espancado até à morte por um grupo de jovens, na Corunha. “O paras de grabar o te mato, maricón”, foi um das últimas frases que Samuel ouviu antes de falecer no hospital. O espancamento mortal deste jovem levou a que mais de uma centena de cidades espanholas se manifestassem em força nas ruas, sob o lema “Basta de LGBTfobia”.

Supostamente tudo não passou de um mal entendido, por parte dos agressores. Mas que não haja nenhum mal entendido quanto à raiz do problema: ódio!

A normalização e difusão do discurso de ódio gera violência. A violência pode e tem matado muitas pessoas. Só em 2021 já vieram a público vários casos de agressões e assassinato a pessoas LGBTQIA+, demonstrando como como a LGBTI+fobia continua a matar em todo o mundo:

Roberta Nascimento Silva, transexual de 33 anos, teve 40% do corpo queimado numa tentativa de homicídio no Brasil, a 24 de junho; uma pessoa morreu na sequência de uma carrinha que atropelou vários participantes na Marcha do Orgulho LGBTI+ da Flórida; Ruan Filipe, jovem trans português foi agredido com facas em Bournemouth, no Reino Unido; Jovem gay, de 22 anos, foi vítima de agressões e de violação colectiva e ficou com o corpo tatuado com ofensas homofóbicas, em Florianópolis, no Brasil; no Irão, um jovem de 20 anos foi brutalmente assassinado pela própria família por ser homossexual; na Letónia, Normunds Kindzulis, de 30 anos, paramédico, foi queimado vivo à porta de casa por ser gay; um jovem homossexual foi torturado e morto em Cancún, após ter revelado ser seropositivo; a Marcha do Orgulho de Tbilissi, na Geórgia, foi cancelada após confrontos entre a polícia e grupos da extrema-direita que atacaram a manifestação pacífica; um casal de duas mulheres foi abordado por 9 agentes da PSP, no Arco do Cego, em Lisboa, após decnúncia de “atos de teor sexual”; a Hungria, em terreno da União Europeia, viu o seu governo de Viktor Orbán aprovar uma nova lei que proíbe que se divulguem conteúdos LGBTI+, que “mostre ou promova a sexualidade, a mudança de sexo ou a homossexualidade” a menores de 18 anos.

Assistimos ainda este ano a um recuo em matéria de direitos LGBTQIA+ um pouco por todo o mundo. Hungria, Polónia, Rússia, Brasil e EUA são alguns dos países onde se tem sentido mais presente um assustador retrocesso no que a direitos humanos diz respeito.

Todos estes casos, que não são isolados, são aqueles que foram noticiados e denunciados publicamente. Imagine-se quantos casos destes, de agressões, tortura, humilhação e assassinato não ocorrem todos os dias em todo o mundo e que são desconhecidos.

A violência é sistémica e constante. Não aceitamos que nos continuem a matar e privar da nossa liberdade de existir, de ser e de amar, quem quisermos. Nem mais uma gota de sangue! Não podemos continuar indiferentes a estes casos violentos e continuar achar que já se conquistou tudo, de que somos totalmente livres, de que a luta está concluída, quando ao nosso lado vemos que ainda está tudo por fazer.

Exigimos que se tomem medidas urgentes e concretas para a defesa das pessoas LGBTQIA+. Não basta que se criem leis achando que o todo um pensamento e modo de vida opressor, heteronormativo e cisnormativo seja alterado de momento para o outro. É urgente que se fale e se implementem programas que abordem temáticas de diversidade sexual e igualdade nas escolas. As escolas, que devem ser um espaço político e social, que contribuam para práticas igualitárias e de espírito crítico, devem ter esse papel, dando visibilidade a todas estas lutas. Uma política na defesa e garante dos direitos LGBTQIA+ é necessária e urgente, que seja aplicada em todos os municípios.

Eliminar identidades não-normativas na educação é retirar às gerações futuras os meios para chegarem a termos com quem são e para tratarem pessoas LGBTQIA+ com a dignidade que merecem. É criar mais uma geração de profissionais de saúde negligentes ou que ativamente sabotam o bem-estar de pessoas trans. É formar historiadores que continuarão a minimizar as nossas lutas ou a reduzir-nos a um fenómeno “recente”. É formar profissionais de resposta a emergências e de segurança que não saberão como desescalar conflitos ou proteger pessoas LGBTQIA+ por falta de familiaridade com a violência que sofrem. E condenar ainda mais famílias a separarem-se irreversivelmente por só terem conhecimento de pessoas LGBTQIA+ através dos preconceitos que lhes foram passados. É em si um ato de violência numa escala incomensurável.

A luta pelos direitos LGBTI+ é internacional e devemos continuar vigilantes a todos os ataques e opressões que ponham em causa a liberdade, o direito a ser quem somos, o direito amarmos quem quisermos.

Não podemos nunca esquecer-nos de que nada está garantido e que de um momento para o outro tudo pode desaparecer. Os governos podem aprovar leis em prol dos direitos LGBTI+, mas rapidamente podem revogá-los. Temos de estar sempre vigilantes, porque a revolução precisa de ser defendida por cada geração.

O fascismo, o machismo, o racismo, o patriarcado, a LGBTI+ fobia não passará!

Não Passará!
Não Passará!
Não Passará!

Outros artigos deste autor >

A Plataforma Já Marchavas é um movimento de cidadãs/ãos e de colectivos unidos na defesa de direitos Humanos, Ambientais e Animais.
O projecto Já Marchavas nasceu em maio de 2018 em Viseu reunindo sinergias diversas. Ainda em 2018 o projecto Já Marchavas levou mais de mil pessoas a participar na 1a Marcha pelos Diretos LGBTI+ em Viseu, denominada por alguns como a Marcha do Amor. A Plataforma Já Marchavas surgiu no ambiente pós-marcha concretizando a cooperação do projecto inicial e dando-lhe continuidade para outras causas comuns. Em Dezembro a Plataforma passou a integrar a Rede 8 de Março.

Deixe o seu comentário

Skip to content