Em Viseu, há 15 anos, no dia 15 de maio, ocorreu a primeira manifestação fora de Lisboa de reivindicação de direitos LGBTI+, designada STOP Homofobia. A concentração mobilizou pessoas de todo o país em resposta aos ataques violentos, perseguições e humilhações que a comunidade homossexual de Viseu então sofria, reflexo de uma sociedade de traços vincadamente conservadores, ainda hoje presentes.

Como documentando na exposição fotográfica dos 15 anos da Manifestação STOP Homofobia, há apenas 15 anos, um grupo de mais de vinte homens na casa dos vinte anos acharam que deveriam agir para fazer valer a sua visão normativa de normalidade, cuidando, no seu entender, da boa imagem da cidade de Viseu. Constituíram uma milícia que se reunia para ameaçar, sequestrar, torturar e agredir homossexuais numa estação de serviço da IP5.

A milícia atuava impunemente, sem ação policial efetiva que travasse os actos criminosos. A questão chegou ao então ministro da Administração Interna António Costa. Coletivos e pessoas de todo o país manifestaram a sua repulsa aos actos de ódio praticados em Viseu e uniram-se na convocatório da manifestação STOP Homofobia.

A concentração foi convocada por: 

  • Amnistia Internacional
  • Horus – associação gay, lésbica, bissexual e transsexual de Viseu
  • SOS Racismo
  • Associação ILGA-Portugal
  • Clube Safo
  • PortugalGay.PT
  • Associação Não Te Prives
  • Olho Vivo – associação para a defesa do património, ambiente e direitos humanos
  • @t. – associação para o estudo e a defesa do direito à identidade de género
  • Associação Opus Gay
  • Panteras Rosa – Frente de Combate à Homofobia
  • APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
  • AJP – Acção Justiça e Paz
  • Secção de Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra
  • ATTAC-Portugal

Agora, em 2020, as manifestações de ódio contra a homosexualidade, a diversidade LGBTI+ e todas as identidades que não se acomodam à normatividade, ameaçam tornar-se desavergonhadamente públicas. Este é o momento para não perder memória do que aconteceu há apenas 15 anos em Viseu.

Por esse motivo e também com esse mote irá ocorrer a 3.ª Marcha de Viseu Pelos Direitos LGBTI+ no dia 11 de outubro. Por esse motivo, durante as próximas semanas, culminando na marcha, será dado espaço e tempo para testemunhos da STOP Homofobia e para que algumas das pessoas então presentes partilhem porque é que 15 anos depois ainda vale a pena marchar.

Ver também:

Manifesto da 3.ª Marcha de Viseu Pelos Direitos LGBTI+

Breve História | Plataforma Já Marchavas

Mais de 20 artistas em exposição na Sementeira

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A Plataforma Já Marchavas é um movimento de cidadãs/ãos e de colectivos unidos na defesa de direitos Humanos, Ambientais e Animais.
O projecto Já Marchavas nasceu em maio de 2018 em Viseu reunindo sinergias diversas. Ainda em 2018 o projecto Já Marchavas levou mais de mil pessoas a participar na 1a Marcha pelos Diretos LGBTI+ em Viseu, denominada por alguns como a Marcha do Amor. A Plataforma Já Marchavas surgiu no ambiente pós-marcha concretizando a cooperação do projecto inicial e dando-lhe continuidade para outras causas comuns. Em Dezembro a Plataforma passou a integrar a Rede 8 de Março.

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