A 4.ª Marcha de Viseu pelos Direitos LGBTQIA+, sob o mote “O orgulho existe, resiste e sai à rua!”, realiza-se no próximo domingo, com início pelas 15h no Jardim sensorial de Santo António.

O orgulho existe, resiste e sai à rua! E porquê? Porque se continua a sair à rua, em Viseu e noutros locais, contra a homofobia e outras atitudes discriminatórias?

Viseu foi considerada a capital da Homofobia em 2005, com grupos organizados a agredirem pessoas que consideravam homossexuais. Mais de 15 anos depois, agressões com motivações homofóbicas voltaram a ser notícia em Viseu, numa história que envolve militantes do Chega, entre os quais o próprio candidato à Câmara Municipal nas autárquicas de 26 de setembro.

Estes são episódios – infelizmente meros exemplos – que tornam claro que ainda há quem não viva em plena liberdade e segurança, ainda existem pessoas que são descredibilizadas, discriminadas e violentadas devido à sua orientação sexual, identidade ou expressão de género.

De Viseu para o mundo, a Plataforma Já Marchavas promove a quarta marcha e pretende recordar que “os trilhos perigosos do passado continuam a ser uma ameaça no presente e no futuro. Que o ódio e a opressão resistem à tolerância e diversidade, às diversas formas de amor e, enquanto assim for, a liberdade democrática legada nos 47 anos de Abril continuará comprometida.”

O Manifesto da iniciativa de protesto repudia os discursos de ódio e reivindica a luta pela liberdade de expressão; a criação de condições de igualdade plena; a criação de planos municipais LGBTQIA+; a criação de redes de apoio, de diálogo e acompanhamento às pessoas que sofram dos diferentes tipos de violência LGBTQIA+fóbica no interior; e ainda a implementação de ferramentas de ensino e aprendizagem de temas de saúde sexual e diversidade de género a profissionais da saúde, do ensino, da justiça e segurança civil.

Durante este ano, o Bloco de Esquerda apresentou propostas nas Assembleias Municipais onde tem representação para declarar vários concelhos Zonas de Liberdade LGBTQIA+. Mas se as propostas até foram sendo, na sua maioria, aprovadas, a verdade é que não basta declarar um concelho Zona de Liberdade: este é apenas o início do caminho.

A construção de concelhos verdadeiramente livres para todas as pessoas, passa pela vontade de saltar das palavras aos atos e pela criação de um Plano Municipal que desenhe políticas públicas promotoras dos direitos LGBTQIA+.

A neutralidade quando falamos de Direitos Humanos não pode continuar a existir como uma posição cómoda de quem não quer mudanças reais e que assim fortalece os movimentos que oprimem, discriminam e violentam. Em qualquer lado: a resposta será sempre o amor e a tolerância, nunca o ódio e a opressão! 

Por isso, no dia 10 de outubro o orgulho existe, resiste e sai à rua, contando com a força de todas as pessoas para pintar um amanhã mais colorido, em Viseu e em todo o mundo!

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Nasceu em Coimbra. Cresceu em Coimbra, com fortes raízes familiares em Castelo de Paiva e no Porto.
Reside em Viseu. Não voou para longe, mas encontrou uma outra casa.
Desde cedo, manifestou interesse em áreas comumente assumidas como divergentes: literatura, ciência, arte, medicina, religião, filosofia, política.
É procurando uma abordagem crítica e interdisciplinar do mundo e da humanidade que decidiu formar-se em Antropologia.
Atualmente "existe" em diversos desígnios e lutas. Desde a militância no Bloco de Esquerda ao ativismo na Plataforma Já Marchavas, passando por diversos projetos culturais onde se cruza com a filosofia (Nova Acrópole) ou o cinema (Nómada Malabarista).

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