Foto de Paula Nunes | Esquerda.net

Porque política é amor, a verdadeira, aquela que se justifica para que muita gente possa viver em comunidade. O político deve ser o que serve e entrega a sua ação ao bem geral, na defesa de quem é mais frágil, na construção de direitos.

Pena é que este sentido profundo e íntimo da essência da própria humanidade se perca constantemente no quotidiano, em que política é apresentada como sondagem, escândalo, corrupção, novela. Que se lixem as manchetes, que se lixem os dados comprados, que se lixem os enredos meticulosamente tornados públicos.

 

Durante esta campanha vi a política nas ruas, senti a política entre as pessoas, vivi a política nos sorrisos e lágrimas.

 

Vi a política quando em Rompecilha, aldeia isolada de S. Pedro do Sul, para ouvir a Marisa Matias, tivemos um palco cheio de pessoas vestidas com roupa de domingo. Vi política quando em Penedono nos olharam de olhos brilhantes na espera de ganhar coragem para falar e pedir um contacto. Nas confissões de almoços de trabalhadores, nos abraços e beijinhos nas feiras por todo o Distrito de Viseu, nas Galerias Ícaro preenchidas de gente durante a Sementeira, nas ruas de Viseu coloridas com um histórico almoço convívio.

 

Custa muito cada vez que ouço que políticos são todos iguais, dói quando me mandam trabalhar, desespero quando não consigo fazer alguém perceber quão importante é votar… Mesmo assim, não sairia das ruas se pudesse. Não prescindiria nunca de ouvir, conversar, abraçar, dar a mão às tantas e tão diversas gentes deste distrito.

 

Política deveria ser compaixão, partilha de experiências e corações. Política deveria ser análise crítica da sociedade para em esforço contínuo a melhorar. Política é inconformação, é querer mais para quem não tem menos direitos por nascer no Interior. Política não são cadeiras e cargos, é fazer acontecer.

 

Política é reivindicar a renacionalizaçao dos CTT, restituindo a sua condição de serviço público essencial. É não cessar os esforços por ligações rodoviárias dignas, seguras e gratuitas. É querer um melhor ambiente para o mundo, a começar por uma ribeira sem poluição em Dardavaz. É defender um verdadeiro Serviço Nacional de Saúde, desde o Hospital de Lamego à Extensão de Saúde em S. João de Areias (Santa Comba Dão). É ouvir as mulheres de Resende e de todo o lado, cidade, vila, aldeia. E mais, mais, mais… 

 

A política só se esgota quando estiver tudo bem, até lá “enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar”. Lanço o desafio de continuarmos já no próximo domingo, nas urnas, exercendo o direito de voto.

Outros artigos deste autor >

Nasceu em Coimbra. Cresceu em Coimbra, com fortes raízes familiares em Castelo de Paiva e no Porto.
Reside em Viseu. Não voou para longe, mas encontrou uma outra casa.
Desde cedo, manifestou interesse em áreas comumente assumidas como divergentes: literatura, ciência, arte, medicina, religião, filosofia, política.
É procurando uma abordagem crítica e interdisciplinar do mundo e da humanidade que decidiu formar-me em Antropologia.
Atualmente "existe" em diversos desígnios e lutas. Desde a militância no Bloco de Esquerda ao ativismo na Plataforma Já Marchavas, passando por diversos projetos culturais onde se cruza com a filosofia (Nova Acrópole) ou o cinema (Nómada Malabarista).

Deixe o seu comentário

Skip to content