Segundo um estudo do Observatório Europeu do Audiovisual, em 2020, os cinemas da União Europeia e do Reino Unido receberam menos 70,7% de espectadores do que no ano anterior devido à pandemia da COVID-19.

Com base em dados preliminares, o Observatório Europeu do Audiovisual estima que a ida ao cinema na União Europeia e no Reino Unido caiu para 294,7 milhões de bilhetes em 2020. São 712,3 milhões de bilhetes vendidos a menos que em 2019, o que representa uma queda de 70,7%.

“Este declínio impressionante é claramente o resultado da crise COVID-19, como o encerramento prolongado das salas de cinema em toda a Europa, juntamente com outras medidas restritivas, teve um forte impacto no setor de exibição. A enorme queda ocorreu depois de um 2019 muito positivo, quando a ida ao cinema na UE e no Reino Unido ultrapassou a barreira dos mil milhões de bilhetes vendidos, pela primeira vez desde 2004.”, lê-se no estudo.

Já na União Europeia (UE27) a quebra foi de 69,8% (menos 580 milhões de idas ao cinema), enquanto que no Reino Unido a quebra foi de 75%, a cima da média europeia e próximo da realidade portuguesa. Portugal está entre os cinco países onde a quebra na ida às salas esteve acima da média.

Em Portugal e Espanha, alguns dos países mais afectados pela pandemia, a diminuição na ida ao cinema foi significativamente superior à média da UE: a Espanha registou uma quebra de 79,4%, (menos 83,3 milhões de idas ao cinema) e Portugal una quebra de 75,7% (menos 11,8 milhões). Seguem-se ainda Chipre (-79,4%, -0,7 milhões), Roménia (-78,5%, -11,2 milhões) e Eslovénia (- 77,7%, -0,5 milhões).

Segundo os dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) sobre o mercado cinematográfico em Portugal de 2020, as salas de cinema receberam 3,77 milhões de espectadores, o que significa que 2020 foi o pior ano de exibição cinematográfica em Portugal desde que há registo.

Apenas sete países registaram uma queda no ano a baixo da média da UE: Dinamarca (-45,5%, -6,0 milhões), Estônia (-51,2%, -1,9 milhões), Finlândia (-53,9%, -4,5 milhões), Holanda (-55,9%, -21,3 milhões), Lituânia (-63,1%, -2,6 milhões), República Eslovaca (-63,8%, -4,2 milhões) e Suécia (- 64,4%, -10,2 milhões).

Segundo o Observatório Europeu do Audiovisual a falta de blockbusters dos EUA favoreceu o mercado do cinema europeu e nacional. “Os primeiros números disponíveis sugerem que, neste ano excepcional, a escassez de sucessos de bilheteria nos EUA levou a um aumento da participação de mercado nacional na maioria dos mercados europeus em comparação com 2019. Na UE, a Itália registrou a maior participação de mercado nacional com filmes nacionais capturando 55,6% de idas ao cinema. Em segundo lugar ficou a Dinamarca, com uma quota de mercado nacional de 50,0%, à frente da República Checa (48,3%) e da França (44,9%). Outros mercados da UE com um aumento significativo das quotas de mercado nacionais incluem a Finlândia (41,1%), a República Eslovaca (32,8%), a Espanha (28,8%) e a Grécia (28,2%).”

Já os filmes mais vistos na União Europeia e no Reino Unido em 2020 encontram-se “1917” (EUA/Reino Unido), “Tenet” (EUA/Reino Unido), “Sonic” (EUA/Japão) e “Star Wars: A Ascensão de Skywalker” (EUA).

Publicado por Cinema Sétima Arte a 3 de março de 2021

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Se disséssemos que éramos um bando de miúdos, um tanto sonhadores, que queriam fundar um site para escrever sobre cinema e que, por algum desígnio divino, pudéssemos fazer da vida isto de escrever sobre a sétima arte, seria isso possível? A resposta é óbvia: dificilmente. Todavia Isso não impediu o bando de criá-lo em 2008, ano da fundação do Cinema 7.ª Arte. O espírito do western tinha-se entranhado em nós…
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Portuense mas reside em Viseu desde 2015 e é apaixonado por cinema e política. É administrador do site Cinema Sétima Arte, programador de cinema no espaço Carmo 81 e fez parte da equipa que reabriu o Cinema Ícaro, em Viseu, com o Desobedoc 2018. É ativista na Plataforma Já Marchavas, que organizou a 1.ª Marcha LGBTI+ de Viseu, em 2018.

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