Última fase do projeto FILMar leva mais de 100 filmes portugueses restaurados a todo o país até abril

A Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema apresenta a última fase do projeto de digitalização FILMar, “a última vaga”, com mais de uma centena de filmes de produção nacional restaurados e digitalizados, que serão exibidos em mais de trinta localidades até 30 de abril.
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Com filmes produzidos entre 1913 (“O Naufrágio do Veronese”, da Invicta Films) e 2007 (“Terra Sonâmbula”, de Teresa Prata), restaurados e digitalizados no âmbito do projeto FILMar, com o apoio do Mecanismo Financeiro Europeu EEAGrants 2020-2024, os filme serão agora apresentados ao público em quase 200 sessões, em cineclubes, cineteatros, cinemas e museus.

Este ciclo, intitulado de “Última Vaga”, estará em itinerância em Almada, Coimbra, Covilhã, Culatra, Elvas, Évora, Funchal, Guimarães, Ílhavo, Lisboa, Leiria, Loulé, Luso, Mealhada, Montemor-o-Novo, Ovar, Peniche, Pombal, Porto, Porto Santo, Póvoa de Varzim, Santarém, Sesimbra, Setúbal, Torres Vedras, Vila do Conde, Vila Franca de Xira e Vila Nova de Famalicão. O cinema português será também levado até à Noruega (Oslo), ao Luxemburgo e a França (Clermont-Ferrand).

Segundo comunicado da Cinemateca, o ciclo “Última Vaga” conta com uma variedade de títulos, registas e datas “que unirão uma rede de parceiros que se juntaram para mostrar como o mar é elemento estruturante do património cinematográfico nacional.”

Com um financiamento de mais de 881 mil euros, foram digitalizados mais de 10 mil minutos de património fílmico relacionado com o mar. “Iniciado em 2020, o projeto FILMar desenvolveu um intenso trabalho de inventariação, preservação, digitalização e difusão desse património, em estreita colaboração com festivais nacionais ao longo dos últimos três anos. Estendemos agora a presença no território com uma intensa e ambiciosa retrospetiva nacional.”

Amália Rodrigues numa das suas menos conhecidas e mais surpreendentes interpretações

Esse vasto e rico património pode agora ser apresentado e levado às comunidades de todo o território do país. Entre os filmes restaurados e digitalizados destaca-se “As Ilhas Encantadas” (1965), realizado pelo luso-francês Carlos Vilardebó e produzido por António da Cunha Telles, protagonizado por Amália Rodrigues, .

Rodado no arquipélago da Madeira, o filme “é um relato, na terceira pessoa, de uma aventura marítima oitocentista, narrado pelo ator Pierre Vaneck que interpreta o papel de Manuel Abrantes, o imediato do navio explorador, o ‘Gazela’, nome dado ao navio Sagres, usado durante a rodagem. Durante a exploração de um arquipélago vulcânico pouco conhecido onde abundam tartarugas gigantes são descobertos dois náufragos: a jovem Hunila (Amália Rodrigues), e um marinheiro francês (Pierre Clémenti), cuja impossibilidade de comunicação, por falarem línguas distintas, sublinha a dimensão platónica desta relação. O seu salvamento significou, porém, a interrupção de uma história de amor improvável.”

Na altura da estreia, em França, lia-se na revista Cahiers du Cinèma que o filme “revelava um cineasta onde o artesão rivalizava com o poeta”. O crítico Paul-Louis Martin sublinhava que “o sonho de Villardebó é triplo: é um sonho sobre Melville, depois sobre o mar, e por fim, sobre a ambiguidade da ilha. O seu filme fica resoluta e corajosamente de fora, surgindo de uma poesia diurna muito para lá daquele silêncio, um silêncio único que se constitui enquanto ponto de destaque na direção de um horizonte onde os diferentes elementos se fundem no cinzento absoluto da interrogação”.

“O Fauno das Montanhas” (1926), de Manuel Luiz Vieira“Areia, Lodo e Mar” (1977), de Amilcar Lyra“Bárbara” (1980), de Alfredo Tropa“Balada da Praia dos Cães” (1986), de José Fonseca e Costa“Porto Santo” (1997), de Vicente Jorge Silva“A Conquista de Faro” (2005), de Rita Azevedo Gomes, são algumas das produções nacionais a serem exibidas até abril.

O programa reúne várias gerações de realizadores, “todos eles participantes ativos de uma história do cinema português com muitas páginas ainda por escrever: Alfredo Tropa, António Veríssimo, Augusto Cabrita, Amílcar Lyra, António Campos, António de Macedo, Carlos Vilardebó, Daniel Del-Negro, Francisco Manso, Joaquim Pinto, João César Monteiro, João Mendes, Jorge Brum do Canto, Jorge Silva Melo, José Fonseca e Costa, José Leitão de Barros, Luís Filipe Rocha, Manuel Guimarães, Manuel Luiz Vieira, Manoel de Oliveira, Raquel Soeiro de Brito, Ricardo Costa, Ricardo Neto, Rita Azevedo Gomes, Solveig Nordlund, Teresa Prata ou Vicente Jorge Silva, para além de muitos autores de curtas-metragens, num mapa estético, narrativo e visual muitíssimo amplo que é, praticamente pela primeira vez, posto em perspetiva.” Muitas das curtas-metragens serão exibidas, ainda, no programa CINEMAX, da RTP, até junho, para além de ficarem, em grande parte, disponíveis na página da Cinemateca Portuguesa, através da Cinemateca Digital.

O programa terá filmes que se cruzam com a comemoração dos 50 anos do 25 de Abril, como por exemplo “A Fuga” (1978), de Luís Filipe Rocha, baseado na fuga do preso político Dias Lourenço da fortaleza de Peniche, na abertura do Museu Nacional Resistência e Liberdade, ou “Que farei eu com esta espada?” (1975), de João César Monteiro, onde se pergunta se ainda acreditamos na democracia.

O programa inclui ainda quatro exposições na Biblioteca Municipal de Marvila (Lisboa), Galeria Solar (Vila do Conde), MiMO – Museu da Imagem Movimento (Leiria), e no Museu Marítimo de Ílhavo, e serão editados 4 livros.

O programa completo será revelado ao longo dos próximos meses no site da Cinemateca.

Se disséssemos que éramos um bando de miúdos, um tanto sonhadores, que queriam fundar um site para escrever sobre cinema e que, por algum desígnio divino, pudéssemos fazer da vida isto de escrever sobre a sétima arte, seria isso possível? A resposta é óbvia: dificilmente. Todavia Isso não impediu o bando de criá-lo em 2008, ano da fundação do Cinema Sétima Arte. O espírito do western tinha-se entranhado em nós…
“A atividade crítica tem três funções principais: informar, avaliar, promover”. É desta forma que pretendemos estimular o debate pelo cinema.
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Portuense mas reside em Viseu desde 2015 e é apaixonado por cinema e política. É administrador do site Cinema Sétima Arte, programador de cinema no espaço Carmo 81 e fez parte da equipa que reabriu o Cinema Ícaro, em Viseu, com o Desobedoc 2018. É ativista na Plataforma Já Marchavas, que organizou a 1.ª Marcha LGBTI+ de Viseu, em 2018.

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