Abutre-preto e grifo devolvidos à natureza no PNDI. Fotografia Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Norte (DCNF-Norte).

Um abutre-preto ( Aegypius monachus) e dois grifos (Gyps fulvus) recuperados foram devolvidos à natureza na passada quinta-feira, 29 de outubro, no Miradouro do Carrascalinho, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, em pleno Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), numa ação coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), no âmbito do projeto LIFE Rupis (www.rupis.pt).

Depois de terem sido encontrados desnutridos e debilitados, os três abutres foram resgatados e passaram por um processo de tratamento e recuperação, antes da devolução ao seu habitat natural.

O abutre-preto foi recolhido em Fafe, no distrito de Braga, já os dois grifos foram localizados em Mogadouro, no distrito de Bragança. O resgate e a recuperação dos três abutres contaram com a intervenção de várias entidades, nomeadamente a GNR, o ICNF, o Centro de Recuperação de Fauna Selvagem no Gerês, o Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (HV-UTAD) e o Centro de Interpretação Ambiental e Recuperação Animal do Baixo Sabor (CIARA).

No exemplar de abutre-preto foi colocado, pelo biólogo da Associação Transumância e Natureza (ATNatureza) Carlos Pacheco, um emissor GPS cedido pela Vulture Conservation Foundation (VCF). A Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, enquanto parceira do LIFE Rupis e no âmbito dos seus projetos de monitorização de fauna silvestre, dará apoio no seguimento dos abutres agora marcados.

O abutre-preto extinguiu-se como nidificante em Portugal no início da década de 70. No entanto, a espécie manteve-se presente na faixa fronteiriça das regiões centro e sul, com indivíduos provenientes de Espanha. Só em 2010 o abutre-preto voltou a nidificar em Portugal, no Parque Natural do Tejo Internacional. Em 2012, registou-se o primeiro casal nidificante no PNDI e, em 2019, o segundo. O abutre-preto tem um estatuto de ameaça “Criticamente em Perigo” em Portugal.

Em Portugal, nidificam centenas de casais de grifos, mas a sua distribuição é assimétrica no território nacional. O grifo distribui-se sobretudo pelo interior, sendo mais comum junto à fronteira com Espanha. As principais zonas de reprodução situam-se no Nordeste Transmontano, nomeadamente no PNDI, que alberga mais de metade da população portuguesa desta espécie.

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A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural é uma entidade sem fins lucrativos, criada em 2000, que tem como missão conservar a biodiversidade, os ecossistemas selvagens, florestais e agrícolas e preservar o património rural edificado, bem como as técnicas tradicionais de construção. A associação, que atua orientada por uma abordagem pedagógica e de cooperação, promove também a investigação científica nas áreas da Ecologia, Biologia da Conservação e Gestão de Ecossistemas, a educação ambiental, o desenvolvimento das comunidades e a dinamização do mundo rural.

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