Palombar apresenta ações de conservação do tartaranhão-caçador em evento promovido pela Rede Rural Nacional

Foto retirada de Palombar.pt | José Pereira a apresentar a comunicação da Palombar. Fotografia DR.
A organização não governamental de ambiente (ONGA) Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural apresentou, no dia 17 de setembro, a comunicação “Monitorização e Conservação do Tartaranhão-caçador/Águia caçadeira (Circus pygargus) no Nordeste Transmontano” no evento “Rede de Itinerários Técnicos” organizado pela Rede Rural Nacional – Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR).

Durante o evento, que teve lugar na Exploração Monte de Santo Isidro, em Samora Correia (Benavente), e a convite da Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC), o biólogo e presidente da Palombar, José Pereira, apresentou as ações que a organização está a desenvolver para assegurar a monitorização e conservação do tartaranhão-caçador no Nordeste Transmontano.

Foi também apresentado, em conjunto com os parceiros, um projeto de âmbito nacional em desenvolvimento, mais abrangente e ambicioso, denominado “Searas de trigo com biodiversidade: salvemos a Águia-caçadeira”, que visa promover a conservação desta espécie cuja população nacional tem sofrido um forte declínio nos últimos anos. Este projeto é promovido por uma parceria realizada entre o Clube de Produtores do CONTINENTE, ANPOC, o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) da Universidade do Porto e a Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural e tem como objetivo principal valorizar as searas de trigo, associando-as à promoção da biodiversidade, em especial para as aves, com foco na conservação do tartaranhão-caçador/águia caçadeira.

Em 2020, a Palombar arrancou com ações de proteção e conservação desta espécie no Nordeste Transmontano, mais especificamente no Planalto Mirandês, em estreita colaboração com os agricultores locais e com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a Direção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte e o Parque Natural do Douro Internacional. Desde então, e também enquadrado em ações do seu projeto “Reconecta-te à Natureza – as aves fazem mais do que cantar”, financiado pelo Fundo Ambiental – Ministério do Ambiente e da Ação Climática, a Palombar tem implementado medidas no terreno para conservar o tartaranhão-caçador, tendo já protegido, no período 2020-2021, cinco ninhos da espécie e anilhado 18 indivíduos, incluindo crias e adultos. A organização está igualmente a realizar um censo da espécie na região. No âmbito daquele projeto, a Palombar produziu ainda o vídeo “Proteger a rapina das searas”, que sensibiliza para a importância de proteger o tartaranhão-caçador.

Circus pygargus, que tem como nomes comuns tartaranhão-caçador e águia-caçadeira, é uma rapina migradora que tem um estatuto de ameaça “Em perigo” de extinção, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e as suas populações têm registado um declínio continuado no território nacional. Os casais nidificantes desta espécie no país representam cerca de 13 por cento da população europeia (excluindo a Rússia). Esta é uma espécie de conservação prioritária em Portugal e que está protegida através da transposição para a legislação nacional da Diretiva Aves da União Europeia, e das Convenções de Berna, de Bona e de Washington. A região Nordeste do país regista um efetivo populacional relevante de tartaranhão-caçador e, tendo em conta esta realidade, a Palombar tem desenvolvido ações dirigidas para esta espécie com o objetivo de monitorizar as suas populações e detetar casais e ninhos existentes no território, sobretudo no Planalto Mirandês.

A Rede Rural Nacional – DGADR está a desenvolver itinerários técnicos focados na sustentabilidade económica e ambiental das explorações agrícolas. Estes itinerários têm por objetivo dar a conhecer as boas práticas e inovações no contexto de uma exploração agrícola, proporcionando a troca de conhecimentos entre agricultores, técnicos, empresas, investigadores e decisores de políticas.

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A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural é uma entidade sem fins lucrativos, criada em 2000, que tem como missão conservar a biodiversidade, os ecossistemas selvagens, florestais e agrícolas e preservar o património rural edificado, bem como as técnicas tradicionais de construção. A associação, que atua orientada por uma abordagem pedagógica e de cooperação, promove também a investigação científica nas áreas da Ecologia, Biologia da Conservação e Gestão de Ecossistemas, a educação ambiental, o desenvolvimento das comunidades e a dinamização do mundo rural.

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