20 anos + 5 espécies de fauna | Coelho-bravo

Coelho-bravo
Coelho-bravo. Fotografia Thermos/Wikicommons. | P
Coelho-bravo. Fotografia Thermos/Wikicommons. | Palombar
Para que possa conhecer melhor a dimensão e a diversidade do nosso trabalho, lançámos, a propósito das comemorações dos 20 anos da Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, a rubrica 20 anos 5+5+5+5, que pretende destacar, até ao final do ano, 5 espécies de fauna, 5 espécies de flora/habitats, 5 elementos do património rural edificado e 5 elementos culturais e da comunidade beneficiados pelas ações desenvolvidas pela organização nos seus 20 anos de história.

Hoje vamos falar do Coelho-bravo…

O coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) é uma espécie cinegética que tem como habitat preferencial as paisagens de mosaico que apresentam tanto zonas fechadas, que funcionam como locais de abrigo, com matos e bosques; como zonas abertas, onde procura alimento, nomeadamente pastagens naturais e artificiais e terrenos agrícolas. Reproduz-se em tocas durante todo o ano, embora a maioria das ninhadas nasçam entre fevereiro e agosto e tem normalmente entre três a 12 crias por ninhada (cerca de três a sete por ano).

Os coelhos produzem dois tipos de excrementos, os que funcionam como marcação odorífera (cobertos por secreções das glândulas anais) do território e os normais, que são muitas vezes ingeridos por terem um elevado valor nutritivo. Alimentam-se de folhas de várias espécies vegetais nutritivas, incluindo cereais em germinação, rebentos de árvores, couves, gramíneas, bolbos, cascas, entre outros vegetais.

Apesar de estar presente em quase todo o território nacional, a densidade das suas populações varia de alta, sobretudo no sul do país, a residual, principalmente no norte.

Depois de afetadas pela destruição de habitats e por doenças como a mixomatose, desde os anos 50, e a doença hemorrágica viral, no final dos anos 80, as populações de coelho-bravo no país tinham estado a recuperar, no entanto, começaram a diminuir novamente a partir de 2012. Atualmente, o que mais tem afetado as populações de coelho-bravo é uma segunda estirpe do vírus que provoca a doença hemorrágica viral, a qual, ao contrário da primeira, afeta também os coelhos juvenis. Estima-se, na atualidade, que as populações de coelho-bravo diminuam, em média, 20% por ano em Portugal.

Coelho-bravo. Fotografia JJ Harrison/Wikicommons. | Palombar

 

Por que é importante conservar e proteger o coelho-bravo?
O coelho-bravo tem um estatuto de conservação “Quase Ameaçada”, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Em dezembro de 2019, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) reviu o estatuto de conservação do coelho-bravo nas áreas onde este é nativo (Portugal, Espanha e França), tendo este passado de “Quase Ameaçada” para “Em Perigo” de extinção. A alteração do estatuto do coelho-bravo foi realizada devido ao registo de uma descida global das suas populações na ordem dos 70% nos últimos anos e à existência de populações muito fragmentadas.
O coelho-bravo é uma presa-chave de várias espécies ameaçadas, quer de mamíferos, como o lince-ibérico (Lynx pardinus), quer de aves, como a águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) e a águia-real (Aquila chrysaetos).
Com o objetivo de aumentar as populações de coelho-bravo no Nordeste Transmontano, de forma a beneficiar não só esta espécie, como toda a cadeia trófica a ela associada, a Palombar tem implementado várias medidas que promovem o seu fomento e conservação.

Como contribuímos para a conservação do coelho-bravo?
A Palombar contribui para a conservação do coelho-bravo através de diversas ações, nomeadamente por via da instalação de bebedouros e comedouros para a espécie no território (Unidades de Alimentação Artificial), de modo a assegurar a disponibilidade de recursos básicos, sobretudo durante o período estival; da criação de sementeiras e clareiras para aumentar os recursos tróficos e criar zonas propícias à conservação do coelho-bravo; bem como através da criação de morouços (abrigos artificiais que constituem locais de refúgio e proteção para a espécie). A organização realiza também a monitorização das populações de coelho-bravo, com o objetivo de avaliar a sua densidade no Nordeste Transmontano.

As ações que contribuem para a conservação do coelho-bravo são desenvolvidas no âmbito de que projetos?

Grupo Nordeste
O Nordeste – Grupo para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável é constituído pela Palombar, pela AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino e pela APFNT – Associação dos Produtores Florestais do Nordeste Transmontano.

Tem como objetivo dar vida a um modelo de intervenção que, unindo a conservação da Natureza à agricultura e à exploração florestal sustentável, promova o envolvimento das comunidades locais e dinamize o desenvolvimento integrado do espaço rural nos vales dos rios Sabor e Maçãs, que estão inseridos na ZPE Rios Sabor e Maças.
No âmbito deste grupo de trabalho, a Palombar é responsável pela implementação de um conjunto de ações que visam a conservação do coelho-bravo, entre outras espécies, muitas das quais são financiadas pela EDP Produção e enquadradas na implementação de medidas de mitigação dos impactos gerados pelo Aproveitamento Hidroelétrico do Baixo Sabor.
Saiba mais em www.nordeste.eu

LIFERupis
O ‘LIFE Rupis Conservação do britango e da águia-perdigueira no vale do rio Douro’ é um projeto transfronteiriço, do qual a Palombar é parceira, financiado pela União Europeia, através do Programa LIFE, e coordenado pela SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.
O seu principal objetivo é a conservação do britango (Neophron percnopterus) e da águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro, através da implementação de medidas que pretendem reduzir a mortalidade destas espécies e aumentar o seu sucesso reprodutor.
Saiba mais em www.rupis.pt

SOS Coelho
O SOS Coelho é um projeto nacional coordenado pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO) e pela Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça (ANPC) que tem como objetivo recuperar as populações de coelhos selvagens em Portugal e combater a doença hemorrágica viral.
No âmbito deste projeto, é implementado um conjunto de ações concertadas que permitirão compreender melhor a etiologia, a biologia e o impacto da nova estirpe da doença hemorrágica viral sobre as populações de coelho-bravo, bem como identificar soluções para assegurar a conservação desta espécie, que é fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas mediterrânicos ibéricos.

Artigo aqui.

Outros artigos deste autor >

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural é uma entidade sem fins lucrativos, criada em 2000, que tem como missão conservar a biodiversidade, os ecossistemas selvagens, florestais e agrícolas e preservar o património rural edificado, bem como as técnicas tradicionais de construção. A associação, que atua orientada por uma abordagem pedagógica e de cooperação, promove também a investigação científica nas áreas da Ecologia, Biologia da Conservação e Gestão de Ecossistemas, a educação ambiental, o desenvolvimento das comunidades e a dinamização do mundo rural.

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