Projeto europeu vai criar Observatório Ecológico Transfronteiriço do Douro

Oito entidades de Espanha e Portugal trabalharão de forma coordenada até 2026 na criação do Observatório Ecológico Transfronteiriço do Douro. O anúncio foi feito no dia 15 de fevereiro, em Zamora, Espanha, durante a apresentação do projeto OET Durius, coordenado pela Fundação Santa María la Real e com vários parceiros, entre os quais a Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural.
Barragem de Miranda do Douro

É inegável a riqueza ecológica e paisagística que gerou benefícios para as comunidades ao longo do tempo em torno do rio Douro, canal de união e ligação entre Espanha e Portugal. A manutenção desta diversidade de ecossistemas é essencial para garantir a sustentabilidade do território e para o conseguir é necessário primeiro conhecê-lo, estudá-lo e analisá-lo.

Será um dos principais desafios do projeto europeu OET Durius apresentado em Zamora, através de um seminário, no qual participaram vários especialistas. Para a execução deste projeto foi formado um consórcio composto por oito entidades de Espanha e Portugal.

De Espanha participam a Fundação Santa María la Real, a Associação Ibérica de Municípios Ribeirinhos do Douro (AIMRD), o cluster Habitat Eficiente AEICE, a vice-reitoria de investigação e transferência da Universidade de Salamanca e a Câmara Municipal de Zamora. Junto com eles outras três entidades portuguesas: Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro) e Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM).

Observatório Ecológico Transfronteiriço do Douro

O primeiro passo para avançar com a criação do Observatório Ecológico Transfronteiriço do Douro será a análise dos ecossistemas ao redor do Douro. Que espécies existem? Quais são as áreas mais importantes para a biodiversidade? Elas estão conectadas? Como é que as atividades humanas e as infraestruturas afetam a conectividade do território?

Numa primeira fase, será necessário “fazer uma análise clara da situação e recolher informações para poder selecionar e definir linhas de ação, a partir desse conhecimento”, disseram o presidente da Câmara Municipal de Zamora, Francisco Guarido, o diretor da Fundação Santa María la Real, Álvaro Retortillo Osuna, e a diretora do projeto, Zoa Escudero.

Com base nestas análises iniciais, será realizada uma seleção de espécies representativas, identificando as suas zonas ou áreas núcleo mais importantes, possíveis corredores de ligação e os pontos que constituem um obstáculo a esses movimentos. É impossível atuar sobre todas as espécies ou ecossistemas do Douro, portanto, será necessário delimitar e priorizar as áreas de atuação, através de análise e interação com os agentes envolvidos.

“Queremos saber se a conectividade ecológica dos territórios ligados ao Douro é ideal, ou seja, saber se as diferentes espécies que o habitam podem comunicar, relacionar-se e viver ou se as suas etapas naturais de ligação foram interrompidas por estradas, cidades ou outro tipo de estruturas”, apontam os responsáveis pelo projeto.

Com toda a informação recolhida, será disponibilizada uma plataforma digital de fácil acesso, que permitirá a consulta, interação e atualização de dados, ou seja, será criado um Observatório Ecológico Transfronteiriço do Douro, que será gradualmente ampliado.

“Este projeto representa uma oportunidade sem precedentes para aprofundar a nossa compreensão dos ecossistemas locais, promovendo ações concretas de conservação e renaturalização que beneficiarão não apenas a biodiversidade, mas também as comunidades locais. Através da colaboração transfronteiriça, estamos comprometidos em criar estratégias sustentáveis que preservem o nosso património natural e cultural para as gerações futuras. Acreditamos firmemente que este observatório será uma ferramenta vital para alcançar esses objetivos, permitindo-nos monitorizar a saúde dos nossos ecossistemas, identificar ameaças e implementar soluções eficazes. Estamos entusiasmados por fazer parte deste esforço colaborativo e ansiosos por ver os impactos positivos que certamente advirão deste trabalho conjunto”, destacou José Pereira, presidente da Palombar.

Ações de renaturalização

A par da investigação, da recolha de informação e da criação do observatório digital, o OET DURIUS contempla também a realização de pequenas ações de renaturalização, tanto na área espanhola como portuguesa, embora ainda não tenha sido definido onde serão realizadas. Em que consistirão? Dependerá do local específico escolhido em cada caso, mas são pequenas ações que visam a recuperação de elementos importantes, tanto para a conservação das paisagens culturais como da biodiversidade: muros de pedra tradicionais, limites, pequenas zonas húmidas, bebedouros e fontes, florestas, áreas de pastagem ou áreas de interesse para polinizadores. Ações, em suma, que servem para melhorar a conectividade ecológica dos territórios do Douro.

O projeto europeu OET Durius tem um orçamento de 1 573,013 euros, sendo financiado em 75% pelo programa Interreg VI-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2021-2027.

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural é uma entidade sem fins lucrativos, criada em 2000, que tem como missão conservar a biodiversidade, os ecossistemas selvagens, florestais e agrícolas e preservar o património rural edificado, bem como as técnicas tradicionais de construção. A associação, que atua orientada por uma abordagem pedagógica e de cooperação, promove também a investigação científica nas áreas da Ecologia, Biologia da Conservação e Gestão de Ecossistemas, a educação ambiental, o desenvolvimento das comunidades e a dinamização do mundo rural.

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