Soneto ao enfermeiro anónimo

Seguros nas poltronas, de buchos cheios,
nas guerras não combatem generais;
da grei e do escarlate sangue alheios.

Longe da lama em que vos sacrificais,
em noites sem sono, de eternos cuidados,
no combate pela vida dos que amaleitados
a vós se entregam desesperados e doentes.

Longe da trincheira em que vós resilientes,
por amor filantropo e respeito aos demais,
com suor e sangue altruístas vos debelais.

E sempre um sorriso na cara e olhar leniente,
sempre uma atenção servil e paciente.
Uma vida salva é quanto basta monumental,
para o enfermeiro anónimo é arco triunfal.

Outros artigos deste autor >

Nasceu em Macedo de Cavaleiros, Coração do Nordeste Transmontano, em 1983, onde orgulhosamente reside. Licenciado em Línguas, Literaturas e Culturas, publicou poemas e artigos na extinta fanzine “NU” e em blogues, antes de editar em 2015 o livro-objecto “Poesia Com Pota”. Português de Mal e acérrimo defensor da regionalização foi deputado municipal entre 2009-2013.
Este autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico.

O renascer da arte a brotar do Interior e a florescer sem limites ou fronteiras. Contos, histórias, narrativa e muita poesia.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts
Texugo (Meles meles) a consumir um isco simulado. Fotografia Palombar.
Ler Mais

Estudo revela pela primeira vez real dimensão do impacto do uso de venenos sobre a biodiversidade na Península Ibérica

Um estudo que acaba de ser publicado na revista Biological Conservation revela a real dimensão do impacto do uso ilegal de venenos sobre a biodiversidade na Península Ibérica. Esta investigação avaliou, pela primeira vez, o número de espécies que são afetadas pelo uso ilegal de venenos, mostrando que são mais do que se previa: no total, pelo menos 47 espécies de vertebrados, entre os quais aves, mamíferos e répteis. A grandeza desta ameaça era, até ao momento, desconhecida devido à reduzida taxa de deteção dos casos de envenenamento no meio natural.
Ler Mais

Um poema esquecido.

Foto de Ricardo Lago | FlickrNa cabeça, tinha um belo poema, consigo ainda sentir, por entre as sinapses,…
Skip to content